País
Cúpula da Amazônia

Secretária-geral da OTCA defende desmatamento zero até 2030

Em discurso durante a Cúpula da Amazônia, em Belém, Alexandra Moreira argumentou que os países devem investir no combate ao crime para acelerar o processo.

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09 de agosto de 2023
Vinicius Palermo
Secretária-geral da OTCA defende desmatamento zero até 2030
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, se encontra com a Secretária-Geral da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), María Alexandra Moreira López, no Hotel Grand Mercure, Belem - PA. Foto: Ricardo Stuckert/PR

A secretária-geral da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), Alexandra Moreira, defendeu na terça-feira, 8, a adoção de um compromisso para zerar o desmatamento até 2030. Em discurso durante a Cúpula da Amazônia, em Belém, a diplomata boliviana argumentou que os países devem investir no combate ao crime para acelerar o processo.

Moreira acrescentou que a preservação do bioma é importante para assegurar a biodiversidade e a disponibilidade de água no mundo. “O desafio social e econômico também está presente por causa dos 50 milhões de habitantes vivendo na Amazônia, incluindo 420 cidades indígenas dos 800 que existem na América Latina”, disse.

Um acordo para eliminação do desmate em um prazo específico divide os oito países da OTCA. Brasil e Colômbia pressionam pela adoção do compromisso, mas enfrentam resistência de nações mais pobres.
Em meio à Cúpula da Amazônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou no Twitter, na manhã de terça-feira, 8, que o desmatamento na Floresta Amazônica caiu 42% no começo de seu mandato atual.

O petista atribuiu a informação à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. “Mesmo só com 700 fiscais, já alcançamos uma redução de 42% do desmatamento na Amazônia. E vamos continuar trabalhando por desmatamento zero”, disse Lula.

A secretária-geral da OTCA disse que o documento conjunto – Declaração de Belém – que chefes de Estado debatem no evento, busca responder à “urgência de ações imediatas e pragmáticas” e “aos desafios sociais” que as mudanças climáticas impõe à região e ao mundo.

“A declaração é um compromisso inédito e ousado, com uma visão integral e que tenta entender a Amazônia dentro da sua grande dimensão”, afirmou a secretária-geral ao se referir à chamada Declaração de Belém, acordo que será firmado e divulgado pelos presidentes do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela, durante a cúpula, que termina na quarta (9) na capital paraense.

“Há uma urgência para ações imediatas, pragmáticas. Trabalhos científicos demonstram que é necessário desmatamento zero até 2030. Para isso, são necessárias medidas como o combate aos ilícitos e ao crime organizado instalado em vários dos nossos territórios”, acrescentou María Alexandra, frisando que a complexidade do desafio exige “medidas de gestão sistêmica, transfronteiriças e de multinível” e o desenvolvimento de políticas públicas baseadas em evidências científicas.

“O desafio social também estará presente na declaração, respondendo a 50 milhões de pessoas que vivem nestes territórios amazônicos – dentre eles 400 povos indígenas – e em grandes cidades amazônidas, que também precisam de acessos a água potável, gestão de resíduo, saneamento básico, saúde, acesso à internet.” A secretária-geral antecipou que a declaração também conterá diretriz indicando que países-membros da OTCA se comprometam com a cooperação binacional e trinacional.

O chamado desafio social, conforme disse María Alexandra, também foi destacado pelo governador do Pará, Helder Barbalho. Em discurso, Barbalho destacou a importância de conciliar conservação ambiental e desenvolvimento.

“Temos um compromisso estratégico com esta agenda. Sustentabilidade, soberania, diálogo e cooperação são os pontos cardeais de uma empreitada que hoje se inicia e que levará o Brasil e os demais países integrantes do Tratado de Cooperação Amazônica a acolherem aqueles que genuinamente compreendem a complexidade e a sensibilidade da equação social, política, ambiental e econômica. É uma equação que reclama enfoque ousado e proporcional nas respostas aos dilemas que a Amazônia enfrenta”, destacou o governador.

“Temos que combater o desmatamento, mas também concretizar as promessas da bioeconomia. Temos que proteger os povos indígenas e as comunidades tradicionais, mas também mobilizar seu conhecimento ancestral para conservar a biodiversidade, os rios e gerar soluções sintonizadas com a delicadeza exigida pela natureza. Temos que coibir a exploração do homem pelo homem, gerando educação, saúde, habitação, emprego e justiça social. Responder a estes desafios demanda modernizar mapas mentais e conjugar ações que reúnam ações públicas e privadas”, disse o governador, ao destacar necessidade da existência de “governos que inspirem a sociedade”, uma vez que, segundo ele, “a resiliência da natureza já mostra limites, cuja transposição terá consequências nefastas que ultrapassam a Amazônia.”