Economia
Inadimplência

Produção industrial fica estável em dezembro

O IBGE divulgou na última sexta-feira que o índice de produção ficou estável em dezembro ante novembro, na série com ajuste sazonal.

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04 de fevereiro de 2023
Vinicius Palermo
Produção industrial fica estável em dezembro
Em relação a dezembro de 2021, a produção industrial caiu 1,3%.

A produção industrial ficou estável em dezembro ante novembro, na série com ajuste sazonal, informou na sexta-feira, 3, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em relação a dezembro de 2021, a produção caiu 1,3%. Nessa base de comparação, sem ajuste, as estimativas variavam de uma queda de 2,5% a um aumento de 0,7%, com mediana de queda de 1,3%. No acumulado do ano, a indústria teve queda de 0,7%. O índice de Média Móvel Trimestral da indústria registrou alta de 0,1% em dezembro.

Com a estabilidade na passagem de novembro para dezembro de 2022, a produção industrial registrou queda de 0,5% no quarto trimestre do ano passado, na comparação com o trimestre imediatamente anterior. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), divulgada nesta sexta-feira, 3, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Produção trimestral

Na comparação com o quarto trimestre de 2021, a produção industrial dos três últimos meses do ano passado registrou alta de 0,5%. Segundo o gerente da Coordenação de Indústria do órgão, André Macedo, há um claro movimento de perda de intensidade na atividade da indústria ao longo de 2022.

No terceiro trimestre do ano passado, a produção havia caído 0,3% ante o trimestre imediatamente anterior. No segundo trimestre, houve crescimento de 0,8% e, nos três primeiros meses de 2022, alta de 0,5% na produção, sempre na comparação com trimestres imediatamente anterior.

“Ao longo de 2022, há perda de intensidade na produção industrial”, afirmou Macedo, em entrevista coletiva para comentar os dados da PIM-PF de dezembro e de 2022 fechado. Na visão do pesquisador, os resultados positivos do início do ano passado, quando a produção industrial cresceu entre fevereiro e maio, foram marcados por uma demanda mais aquecida, impulsionada pelas “medidas de incremento da renda implementadas pelo governo”.

Macedo citou como exemplos as antecipações do pagamento do 13º salário de beneficiários do INSS, saques do FGTS, a elevação dos valores do Auxílio Brasil, como era chamado o programa federal de transferência de renda para os mais pobres, e auxílios pontuais para caminhoneiros e taxistas, afetados pelo encarecimento dos combustíveis. “Muitas delas tinham caráter pontual”, afirmou Macedo.

Esfriamento da demanda

Segundo o pesquisador do IBGE, o esfriamento da demanda comandou a perda de intensidade na atividade da indústria a partir de meados do ano passado. Uma “série de fatores” freou a demanda, disse Macedo. Entre eles estão os juros em elevação, o que torna o acesso ao crédito “mais caro e mais difícil”, a inflação mais elevada, especialmente de alimentos, “o que reduz a renda disponível”, e a inadimplência e o endividamento em crescimento.

Mesmo a melhora no mercado de trabalho, lembrou Macedo, foi marcada pela geração de empregos precários. Ou seja, a melhora no mercado de trabalho não foi acompanhada de crescimento mais pujante na massa de salários, o que também impede um fôlego maior para a demanda.

“Todos esses fatores ajudam a entender a razão pela qual a produção mostra menor intensidade no segundo semestre (de 2022). Além disso, tivemos um ambiente de incerteza, que afeta decisões de investimentos e consumo”, afirmou Macedo.

Com o desempenho de dezembro, a produção industrial ficou 2,2% abaixo do nível atingido em fevereiro de 2020, o último mês antes da pandemia de covid-19 se abater sobre a economia do País Na comparação com o nível recorde da série histórica da PIM-PF, atingido em maio de 2011, a produção de dezembro de 2022 ficou 18,5% abaixo.