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Mulheres que somam

A presença das mulheres nos ambientes de trabalho ainda sofre discriminação e resistência por uma parte cada vez menor, embora intensa, de pessoas que sentem seus status quo ameaçados.

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15 de março de 2023
<strong>Mulheres que somam</strong>
Foto: Divulgação

Se olharmos o passado, a participação da mulher em todos os setores da economia e da sociedade, de maneira justa e devidamente valorizada, é algo bem recente. Para ter uma ideia, há exatos 130 anos a Nova Zelândia era o primeiro país do mundo a garantir o direito fundamental do voto às mulheres. Operárias de uma fábrica nos EUA entraram em greve para pedir melhores condições trabalhistas, como licença-maternidade e salários iguais aos dos homens. Isso ocorreu 48 anos, especificamente no dia 8 de março, que deu origem à celebração do Dia Internacional da Mulher.

Apesar da luta por direitos iguais ter começado há muito tempo, ainda temos um longo caminho pela frente até alcançarmos as mudanças que desejamos para nossas vidas – pessoal e profissional.

Na Contabilidade a história não é diferente, o primeiro registro de contadora obtido por uma mulher, Eny Pimenta de Moraes, saiu em 1947, no Rio de Janeiro, conforme dados do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). Ainda de acordo com a entidade, na década de 1950 a participação das mulheres na área representava somente cerca de 1,3% do total de profissionais na ativa.

Cenário esse que, diante de um levantamento realizado por duas doutorandas em Ambiente e Desenvolvimento, intitulado “Mulher no mercado de trabalho: a evolução da mulher contabilista brasileira entre os anos de 2009 e 2019”, está mudando. O estudo revela que, durante o período analisado, a participação feminina na área de Ciência Contábeis cresceu 50%.

Hoje, segundo informações do Sistema CFC/CRCs, 43% dos registros profissionais ativos na Contabilidade em todo o país são de mulheres. Esse dado revela a capacidade das mulheres, uma vez que estamos falando de somente um setor do mercado. Felizmente, vemos um número cada vez maior de mulheres em cargos antes ocupados somente por homens. O que traz mais diversidade de pensamento, pontos de vista, experiências, propiciando assim a inovação e a disrupção dos modelos socioeconômicos antigos.

Mas, apesar de todos esses benefícios, a presença das mulheres nos ambientes de trabalho ainda sofre discriminação e resistência por uma parte cada vez menor, embora intensa, de pessoas que sentem seus status quo ameaçados. Para evitar que ações possam prejudicar a carreira e, consequentemente, a vida pessoal das mulheres que exercem a profissão de contadoras, técnicas, auditoras, peritas e empresárias, a Comissão CRCSP Mulher realiza atividades e ações para apoiar as mais de 63.150 profissionais da contabilidade do Estado de São Paulo.

Acreditamos que, juntas, podemos transformar a realidade das profissionais da contabilidade que estão hoje em atividade e para aquelas que irão entrar no mercado de trabalho. Afinal, para conseguirmos o que queremos precisamos de união, força e que ninguém solte a mão de ninguém!

Flávia Augusto é vice-presidente de Desenvolvimento Profissional do Conselho Regional de Contabilidade de São Paulo