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Lula diz que novo presidente da Argentina precisa gostar de democracia

De acordo com o petista, o novo presidente da Argentina precisa gostar da democracia e respeitar as instituições.

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14 de novembro de 2023
Vinicius Palermo
Lula diz que novo presidente da Argentina precisa gostar de democracia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva

A poucos dias do segundo turno das eleições na Argentina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu para que a população do país vizinho “pense” na América do Sul, América Latina e no Mercosul na hora de votar. De acordo com o petista, o novo presidente da Argentina precisa gostar da democracia e respeitar as instituições.

“Só queria pedir ao povo argentino, na hora de voltar, pense na Argentina, é soberano o voto de vocês, mas pense um pouco no tipo de América do Sul que você quer criar, América Latina que você quer criar e de Mercosul que você quer criar. Juntos, nós seremos fortes”, comentou.

As declarações ocorreram durante transmissão semanal ao vivo nas redes sociais, denominada de Conversa com o Presidente, na terça-feira, 14. No início da fala, Lula disse que não iria falar sobre as eleições no país vizinho “porque é direito soberano do povo”, mas fez um apelo ao povo.

“A Argentina e Brasil, nós precisamos um do outro, precisamos estar juntos, sem divergências. Quando tivermos divergência, senta numa mesa, negocia a acaba com a divergência”, declarou. “Queria pedir que vocês lembrem que o Brasil precisa da Argentina e Argentina precisa do Brasil.”

O presidente afirmou que a relação entre ambos os países é um “exemplo de amizade” e citou a importância comercial entre as nações. “Para isso, é preciso ter um presidente que goste de democracia, que respeite as instituições, que goste do Mercosul, que goste da América do Sul e que pense na criação de um bloco importante”, comentou.

“Hoje o mundo está dividido em blocos: bloco europeu, bloco asiático. Preciso criar nosso bloco para negociar comercialmente com o resto do mundo”, afirmou. “Para isso, precisamos estar juntos. Se brigamos, não iremos a lugar nenhum.”

A Argentina entra na sua reta final da campanha à presidência. O segundo turno das eleições está marcado para o próximo domingo, dia 19. De um lado da disputa está Javier Milei, pelo partido La Libertad Avanza, e do outro o peronista Sergio Massa, pelo Unión por la Patria. Segundo as últimas pesquisas, eles estão empatados dentro da margem de erro.

Massa é o atual ministro da Economia do governo do presidente Alberto Fernández, com quem Lula tem relações de amizade. Político experiente, o advogado conquistou as primárias de seu partido depois da terceira tentativa. Massa também já foi presidente da Câmara dos Deputados.

Milei, autodenominado “anarcocapitalista”, é da coligação conservadora A Liberdade Avança, e se coloca como representante de um liberalismo extremo. Entre suas propostas estão a redução drástica de subsídios e do aparato estatal. Num discurso com idas e vindas, ele já propôs o fechamento do Banco Central, a saída do Mercosul e a dolarização da economia, medida vista como inviável por economistas menos radicais. Diferente de Milei, Lula defende o fortalecimento do Mercosul para que o bloco possa negociar comercialmente com outros países.

O presidente lembrou que Brasil e Argentina são os maiores parceiros comerciais um do outro na América do Sul. Em 2022, o fluxo comercial entre os dois países chegou a US$ 28,45 bilhões, com saldo positivo de US$ 2,2 bilhões para o Brasil. O volume mais alto foi em 2011, quando o valor total negociado estava próximo de US$ 40 bilhões.