País
Marcas de violência

Vereadora Yanny Brena e namorado Rickson Pinto morreram por asfixia

A linha de investigação é que a vereadora Yanny Brena teria sido vítima de feminicídio pelo namorado, que depois teria tirado a própia vida.

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08 de março de 2023
Vinicius Palermo
Vereadora Yanny Brena e namorado Rickson Pinto morreram por asfixia
Cena do crime mostra violência contra a vereadora.

Os laudos cadavéricos concluídos na segunda-feira, 6, pela Perícia Forense do Ceará apontam que a causa das mortes da presidente da Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, vereadora Yanny Brena (PL), e do namorado, Rickson Pinto, foi asfixia. A informação é da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).

A principal linha de investigação do caso é que a vereadora Yanny Brena teria sido vítima de feminicídio pelo namorado. Ainda segundo a Polícia Civil, Rickson teria atentado contra a própria vida em seguida. A Delegacia de Defesa da Mulher de Juazeiro do Norte está a frente das investigações. Cerca de 20 pessoas já foram ouvidas.

“A SSPDS reforça que a Polícia Civil aguarda receber outros laudos solicitados à Pefoce sobre o local de crime e de imagens de câmeras de segurança, além do laudo de pesquisa de substâncias em amostras de sangue e urina. A unidade segue realizando diligências e oitivas no intuito de elucidar os fatos. Mais informações serão repassadas em momento oportuno para não comprometer os trabalhos policiais em andamento”, diz nota divulgada pela pasta.

O corpo da vereadora Yanny Brena tinha marcas de violência. A empregada doméstica que trabalhava para o casal foi a primeira pessoa a encontrar os corpos. Os dois estavam de mãos dadas. Yanny Brena teria terminado o namoro com o empresário Rickson Pinto poucos dias antes do casal ser encontrado morto.

Yanny Brena Alencar Araújo era médica e foi a primeira mulher a presidir a Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, no primeiro mandato como vereadora. Ela era irmã do deputado federal Yury do Paredão (PL). Já Rickson Pinto era de Natal (RN) e namorado de Yanny Brena desde 2020. O jovem tinha uma filha de um relacionamento anterior e já havia sido preso por porte ilegal de arma de fogo. Ele também participava de vaquejadas e postava registros dos eventos nas redes sociais.

A médica faria 27 anos na sexta-feira, apenas dois dias depois do Dia Internacional da Mulher, em 8 de março. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 699 mulheres foram vítimas de feminicídio só contando o primeiro semestre de 2022 — o dá em média quatro casos por dia. Nos últimos quatro anos, o número de feminicídio cresceu 10,8% apenas na comparação entre os primeiros semestres.

Sob forte comoção de familiares e amigos, o corpo de Yanny foi enterrado na manhã de sábado no Cemitério Parque Anjo da Guarda, também em Juazeiro do Norte. Houve antes uma celebração religiosa. Durante o enterro, foram jogadas pétalas de rosas de um helicóptero.