Economia
Danos

Criadores estimam perda de R$ 40 milhões no RS com morte de suínos

O valor é parte de estudo preliminar realizado pela associação e engloba tanto os danos materiais em até 40 propriedades quanto as perdas de animais

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23 de maio de 2024
Vinicius Palermo
Criadores estimam perda de R$ 40 milhões no RS com morte de suínos
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro

A Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs) estima que o prejuízo direto à atividade provocado pelas chuvas no Estado alcançou R$ 40 milhões. O valor é parte de estudo preliminar realizado pela associação e engloba tanto os danos materiais em até 40 propriedades quanto as perdas de animais, com a morte de 12,6 mil suínos seja por afogamento, levados pelas águas ou por deslizamentos, informou o presidente da Acsurs, Valdecir Folador.

Segundo ele, os danos totais ou parciais atingiram entre 25 mil m² e 26 mil m² de área construída. “Estimamos um custo de R$ 30 milhões para reconstrução das propriedades e suas estruturas, mas não sabemos se o valor será esse, pois alguns produtores podem desistir da suinocultura”, explicou Folador.

O presidente da associação também ponderou que há prejuízos difíceis de serem calculados, pois envolvem desafios de alimentação aos plantéis, provocados por problemas de logística, como a destruição de estradas. “Em alguns casos, o acesso às granjas só foi restabelecido uma semana depois. Muitos animais tiveram restrição alimentar, o que trará prejuízos posteriores”, disse.

Isso pode trazer prejuízos adicionais de R$ 5 milhões a R$ 6 milhões, segundo estimativa do representante da Acsurs.

As regiões do Vale do Taquari, da Serra Gaúcha e do Vale do Caí concentraram os impactos das chuvas sobre a suinocultura do Rio Grande do Sul. Segundo Folador, essas regiões abrigam 28% da produção de suínos do Estado, que abate 11,2 milhões de animais anualmente.

O plantel gaúcho fixo de suínos é de 5 milhões, de acordo com o presidente da Acsurs, com 1,4 milhão sendo dessas áreas.

Com os números dos prejuízos em mãos, a Acsurs espera contar com o apoio governamental para a reestruturação financeira dos suinocultores e da atividade nas propriedades atingidas, com a principal demanda sendo o abatimento das dívidas de produtores que tiveram suas propriedades destruídas.

Folador também avaliou que a suinocultura gaúcha não deve sofrer impactos expressivos em volumes ou preços pela tragédia. “Isso se dilui na suinocultura do Estado. Não vai mexer com o mercado, pela grandiosidade da atividade, mas para quem perdeu é tudo”, comentou.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, informou que a pasta será transferida de forma itinerante para o Rio Grande do Sul na próxima semana. A agropecuária do Estado foi prejudicada pelas fortes enchentes que afetaram o Estado. O ministro vai ao Estado na próxima terça-feira, 28, acompanhado da bancada parlamentar gaúcha.

“O nosso primeiro ato será a transferência do Ministério. Faremos também a entrega de equipamentos de emendas parlamentares deste ano para o Estado e colheremos as propostas de prefeitos e dos produtores para reconstrução do Estado”, disse.

O ministro explicou que ainda não foi ao Estado em virtude do direcionamento até então da estrutura pública ao resgate e socorro emergencial à população gaúcha.

Sobre as próximas medidas de reconstrução da agropecuária gaúcha, Fávaro observou considerar “cabível” incluir o Estado no programa de recuperação de áreas degradadas.

O ministro voltou a defender também a ideia de um fundo de aval para garantir as operações de crédito rural dos produtores rurais. “Para o produtor ter acesso a crédito neste momento só tem uma solução que é o fundo garantidor. Fizemos isso na pandemia e faremos agora na reconstrução do Rio Grande do Sul”, pontuou.

Na avaliação do ministro, o fundo é necessário devido ao momento de baixa liquidez dos produtores afetados pelas enchentes e de dificuldades de comprovação de garantia, em virtude de propriedades perdidas.

A proposta do Ministério, encaminhada à Casa Civil, é estruturar um fundo que funcionaria aos moldes do Fundo Garantidor de Operações (FGO), criado pelo governo durante a pandemia para avalizar empréstimos para micro e pequenas empresas no âmbito do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe).

Na prática, o fundo deve garantir às instituições financeiras que, em casos de inadimplência e incapacidade de cumprimento dos empréstimos pelos produtores rurais, o governo arcaria com o pagamento das operações. O Tesouro Nacional seria o avalista do instrumento.