BCE indica que pode subir juros, após fim das compras de ativos

Por: Redação DC

Foto: Divulgação

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O vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, defendeu uma postura "gradual e cautelosa" no processo de normalização da política monetária.

O vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, defendeu uma postura "gradual e cautelosa" no processo de normalização da política monetária.

Na reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) no mês passado, dirigentes reforçaram que os juros podem ser elevados "algum tempo" depois do final das compras de ativos, que deve terminar no início do terceiro trimestre. Segundo a ata referente ao encontro, isso pode significar algumas semanas ou meses após a conclusão do programa de relaxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês). "A abordagem não impede um aumento oportuno das taxas se as condições assim o justificarem", ressalta o documento.

Boa parte dos integrantes do BCE manifestou preocupação com a recente escalada da inflação na zona do euro, de acordo com o relatório. Em abril, a taxa anual de inflação na região se manteve no nível recorde histórico de 7,4%. O quadro foi exacerbado pela guerra entre Rússia e Ucrânia, mas muitos dos riscos inflacionários já haviam se materializado antes do conflito, ainda conforme a ata. 

Nesse cenário, alguns dirigentes consideram importante agir sem atraso indevido para demonstrar o compromisso do BC europeu com a estabilidade de preços, diz o texto. "Tal ação é considerada necessária para evitar que o repique temporário de inflação mais alta se consolide e para evitar que as expectativas de inflação subam ainda mais em relação à meta do Conselho do BCE", ressalta.

Durante a reunião, o economista-chefe da instituição monetária, Philip Lane, afirmou que o Programa de Compras de Ativos (APP, na sigla em inglês) pode terminar no terceiro trimestre. "A proposta foi vista como consistente com a possibilidade de decidir encerrar as compras líquidas de ativos já no final do segundo trimestre ou início do terceiro trimestre", diz a ata.

Os dirigentes ressaltaram ainda que o BCE deve manter a flexibilidade como característica permanente dos instrumentos de política monetária. Segundo eles, os dados recentes sugerem que a guerra no Leste Europeu vai desacelerar a recuperação econômica, mas não interrompê-la. No mercado, as recentes indicações do BCE foram interpretadas como evidências de que os juros devem ser elevados em julho. 

O vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, defendeu uma postura "gradual e cautelosa" no processo de normalização da política monetária. Durante evento, o dirigente argumentou que o programa de compras de ativos deve terminar no início do terceiro trimestre. "Um primeiro aumento das taxas de juros pode ocorrer algum tempo depois, dependendo da evolução da nossa avaliação das perspectivas", afirmou.

Guindos ressaltou que a guerra entre Rússia e Ucrânia provavelmente provocará uma desaceleração da economia e uma alta da inflação na zona do euro. Segundo ele, o ritmo de elevação dos preços deve continuar acelerado nos próximos meses. "Precisamos evitar que o cenário em que a alta inflação que vemos atualmente fique enraizada nas expectativas", disse.

No entendimento dele, o BCE atravessa um "caminho estreito" para assegurar o mandato de estabilidade de preços. "Mas tenha certeza que continuamos totalmente comprometidos em estabilizar a inflação em nossa meta de 2% no médio prazo", reforçou. Apesar dessas incertezas, os mercados financeiros na região continuam "relativamente calmos" na Europa, de acordo com Guindos. 

O vice-presidente do BCE ressaltou que o setor bancário enfrenta "ventos contrários" decorrentes do conflito no Leste Europeu, em especial por conta de riscos de crédito em empresas de energia. "Isso já levou os analistas a cortarem as previsões de rentabilidade dos bancos para 2022, devido ao aumento das expectativas de provisionamento", comentou.

Segundo Guindos, ajustes positivos nos juros devem beneficiar os resultados operacionais dos bancos no curto prazo, mas pode prejudicá-los no médio prazo. "O valor econômico dos bancos com alta participação de ativos prefixados pode cair, à medida que ativos perdem mais valor do que os passivos", destaca. 

Segundo a Fitch Ratings, uma interrupção repentina na oferta de gás pela Rússia "provavelmente" empurraria a zona do euro para uma recessão econômica. "As exposições são tão grandes que uma cessação imediata e total do fornecimento de gás natural russo resultaria em escassez e racionamento de gás, causando um grande choque macroeconômico", afirmou a agência de risco. 

Há dois meses, a previsão da Fitch era de crescimento de 2,3% no Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro em 2023. Com os acontecimentos recentes, porém, há riscos negativos. Um racionamento de gás deve levar a região à recessão no final deste ano ou início do próximo, projetam analistas. 

No longo prazo, seria possível substituir a oferta russa perdida por outros fornecedores de gás e energia. No entanto, um corte imediato nas importações russas seria "praticamente impossível" de ser compensado no curto prazo, acredita a Fitch. A agência alerta para o risco crescente e significativo de tal ocorrência, dada a continuidade da guerra na Ucrânia, e observa que a alta nos preços de energia neste cenário intensificaria as pressões inflacionárias e reduziria a renda real na região. 

A Fitch destaca que a União Europeia depende das importações líquidas para fornecer 84% do seu consumo doméstico de gás. "Com 38% das importações de gás da UE provenientes da Rússia, estimamos que cerca de 30% do consumo doméstico de gás na UE e na zona do euro foi fornecido pela Rússia. Para a Alemanha, o número é o dobro, em 60%".

Com base em estimativas recentes o Banco Central Europeu (BCE), a agência de risco busca estimar o impacto nas cadeias de fornecimento. "As estimativas do BCE usam uma estrutura de entrada-saída das contas nacionais e sugerem que o PIB da zona do euro cairia 0,7% se a oferta de gás diminuir 10%. Uma perda de 30% no fornecimento de gás se traduziria, portanto, em um declínio de 2% no PIB da zona do euro. Para a Alemanha, a perda do fornecimento de gás russo implicaria uma queda do PIB de cerca de 4%."

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