Guedes diz que inflação não será transitória e bancos centrais 'estão dormindo'

Por: Redação DC

Foto: Fabio Rodrigues / Agência Brasil

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De acordo com o ministro, o Brasil voltou ao mesmo nível de gastos em proporção do PIB de antes da pandemia.

De acordo com o ministro, o Brasil voltou ao mesmo nível de gastos em proporção do PIB de antes da pandemia.

Durante participação em painel mundial do Fórum Mundial de Davos na sexta-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que a inflação não será transitória e ressaltou que a questão não é um problema executivo do Brasil, sendo visto e não é um problema exclusivo do Brasil, mas de todo mundo. De acordo com o ministro, os bancos centrais “estão dormindo” e a inflação será um “grande problema para mundo Ocidental”. O Brasil, segundo ele, se moveu rapidamente para lidar com a inflação por meio do Banco Central.

Paulo Guedes também afirmou que o Brasil é, provavelmente, o único país que removeu políticas expansionistas logo que a economia retomou, com a queda da pandemia do coronavírus e o retorno seguro ao trabalho.

De acordo com o ministro, o País voltou ao mesmo nível de gastos em proporção do PIB de antes da pandemia. No Fórum Econômico Mundial de Davos, Guedes voltou a repetir que o Brasil estava decolando antes a pandemia, mas precisou expandir os gastos para lidar com os mais vulneráveis.

“Meu medo agora é que a besta está fora da garrafa [nos países ocidentais]. Não acredito que a inflação seja transitória. Penso que os elementos adversos que alimentam a inflação vão diminuir gradualmente, mas não há mais arbitragem a ser explorada pelo ocidente. Penso que os bancos centrais estão dormindo enquanto dirigem. Eles têm de ficar atento porque a inflação será um problema real em breve para o ocidente”, argumentou.

De acordo com o ministro, há espaço fiscal para reagir a uma terceira ou quarta onda da covid-19. Segundo Guedes, os programas de 2020 e 2021 foram bem-sucedidos e estão prontos para serem repetidos caso a pandemia se agrave.

Também participam do evento desta sexta-feira a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, o presidente do Banco do Japão, Kuroda Haruhiko, e a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva. Guedes foi o último a falar no evento.

Paulo Guedes disse que a inflação será “um verdadeiro problema” para o mundo ocidental, mas que o Brasil, devido às experiências anteriores de convívio e combate a altas taxas inflacionárias, foi mais rápido que outros países no sentido de adotar medidas contra a alta de preços.

A fala do ministro foi feita após participações de autoridades do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Central Europeu, no painel Perspectivas Econômicas Globais, que teve como tema principal a influência da pandemia no aumento dos índices inflacionários.

Na avaliação da diretora de Gestão do FMI, Kristalina Georgieva, é fundamental entender que a inflação está mais alta e persistente em alguns países, e que este é “um problema específico a cada país”. Segundo ela, essas especificidades marcarão o ano de 2022. “Não será possível manter todas as políticas em todas as partes, o que fará o combate mais complicado em alguns países”, disse Georgieva.

A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, acrescentou que a autoridade monetária precisa estar atenta “às cifras apresentadas em cada país”, e que em muitos casos a superação e a conservação de empregos foi subestimada, disse ela ao defender atenção a problemas relativos ao mercado de trabalho.

“Na França vemos indicadores específicos como negociações coletivas de salários na qual empregadores e sindicatos levam em conta os índices de inflação. No entanto, em outros países não estamos vendo essas negociações avançarem”, disse Lagarde.

“Estávamos acostumados a níveis baixos de inflação. E agora temos de ver quanto isso vai durar, e vai durar”, acrescentou. de forma mais rápida”, disse o ministro.

Referindo-se ao comentário de Lagarde sobre os governos terem de ficar atentos ao que ocorre no mercado de trabalho, Guedes lembrou que, em 2019, o mundo estava, segundo diversas autoridades monetárias em uma “desaceleração sincronizada”.

“Fomos então afetados pela covid-19 e respondemos [no Brasil] de forma a evitar uma grande depressão. Agora estamos de volta à situação de desaceleração sincronizada e avanço de economias. Mas agora a inflação está aí. A questão é saber o quão transitórios são esses fatores”, completou o ministro brasileiro.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta sexta-feira que o setor público consolidado encerrou 2021 com um pequeno superávit, ao argumentar que o país retornou ao controle fiscal após adotar medidas de enfrentamento à pandemia.

“O déficit veio de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) para 10,5% (em 2020) e nós encerramos o ano (passado) com um pequeno superávit consolidado”, disse.

Os dados oficiais para o resultado primário do setor público consolidado em 2021 ainda não foram apresentados. A divulgação pelo Banco Central está prevista para o dia 31.

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Crédito da imagem: Fabio Rodrigues / Agência Brasil

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