Artigo: ESG e Futebol – Parte II

Por: Eduardo Bandeira de Mello

Foto: Divulgação

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Eduardo Bandeira de Mello, administrador pós-graduado pela UFRJ, foi gestor do BNDES por 36 anos e presidente do Clube de Regatas do Flamengo.

Eduardo Bandeira de Mello, administrador pós-graduado pela UFRJ, foi gestor do BNDES por 36 anos e presidente do Clube de Regatas do Flamengo.

Por Eduardo Bandeira de Mello

No artigo anterior abordamos a importância da aderência pelas empresas aos princípios ESG e registramos o atual estágio de disseminação do conceito no meio empresarial brasileiro. Em que pese o avanço das nossas empresas em relação ao tema, vimos que a percepção da importância dos princípios ESG ainda está longe de chegar aos nossos clubes e entidades de administração do esporte. 

No entanto, há exemplos a serem seguidos por nós se quisermos caminhar rumo à modernidade. 

Na Alemanha a questão tem avançado muito. A partir de 2020, se iniciou uma ampla discussão envolvendo vários atores nos meios esportivo e governamental sobre a importância de introduzir a variável da sustentabilidade em todas as suas dimensões (ecológica, econômica e social) no futebol alemão 

O debate evoluiu e, como consequência, a Bundesliga vai passar a incluir diretrizes de sustentabilidade obrigatórias nos seus requisitos para licenciamento. 

Os critérios envolverão a gestão e organização dos clubes e a existência de uma estratégia ambiental,que inclua, por exemplo, medições anuais de consumo de água, produção de águas residuais e consumo de energia e análises de mobilidade e tráfego.  Além disso, todos os clubes devem provar que possuem um código de conduta para todos os funcionários, que condenam todo tipo de discriminação e que se comprometem com a igualdade, diversidade e inclusão.

Depois de uma fase experimental a ser implementada já na próxima temporada 2022/23, os critérios serão tornados obrigatórios em etapas nas duas temporadas seguintes, 2023/24 e 2024/25. 

Em resumo, mais do que o ‘fair play’ financeiro, que já é uma realidade no futebol europeu, a Alemanha está introduzindo o ‘fair play’ social e ambiental como condição para a participação nas competições esportivas. 

Mas também temos um projeto de vanguarda no Brasil, ainda distante das manchetes esportivas e das principais competições do futebol brasileiro. 

Trata-se do Pérolas Negras, clube nascido da organização dos refugiados do Haiti, que veio para o Brasil e começou a disputar competições em 2017, revelando talentos nas favelas do Rio de Janeiro, sem perder de vista suas raizes haitianas e agregando também refugiados do Oriente Médio. 

O Pérolas Negras atualmente disputa a série B1 da FERJ, a série D do Brasileirão e a divisão principal do futebol feminino no Rio. 

Sediado em Resende e Itatiaia, suas divisões de base se espalham por 10 núcleos nas comunidades cariocas, onde os meninos e meninas recebem reforço escolar de qualidade e atenção psicológica. O objetivo é a formação de cidadãos, mais até do que o provimento de atletas para os elencos principais. 

Em processo de organização sob a forma de SAF, o Pérolas Negras vem investindo em ciência do esporte e, na área ambiental, projeta se transformar no primeiro clube totalmente carbono-neutro. 

A partir de um inventário das emissões de gases de efeito estufa decorrentes de todas as atividades do clube, será feita a neutralização das emissões através da recuperação florestal do bioma mata Atlântica no Vale do Paraíba. Como antecipação, o Pérolas Negras já vem plantando 100 árvores a cada gol marcado. 

Boa parte da população brasileira tem como principal ponto de contato com a realidade o esporte e, mais especificamente, o seu clube de futebol. A partir de iniciativas como as dos projetos citados, o futebol brasileiro poderá dar um grande passo em direção à modernidade e se constituir num verdadeiro exemplo.


Eduardo Bandeira de Mello, administrador pós-graduado pela UFRJ, foi gestor do BNDES por 36 anos e presidente do Clube de Regatas do Flamengo.

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