O conflito entre o tempo e o dinheiro (vi)

Por: Victor Mothé Pereira Nunes - Consultor em Finanças

Foto: Divulgação

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13/09/2021

No artigo de seis semanas atrás, foi apresentado o contexto que implica na armadilha de gastar tempo para ganhar dinheiro, na medida em que existe a percepção de que o dinheiro traz felicidade no longo prazo, porém, em oposição, poderia ser adotada uma estratégia diversa, na qual seria possível utilizar o dinheiro para comprar tempo, sendo que estudos realizados em todo o mundo indicam que pessoas dispostas a abrir mão de dinheiro em troca de tempo livre - por exemplo, trabalhando menos horas ou pagando a terceiros para executarem as tarefas de que não gostam - são mais alegres e, em geral, mais felizes. Neste sentido, cabe avaliar a estratégia de realizar escolhas baseadas no tempo - não no dinheiro, embora a cultura dominante e até o próprio cérebro conspirem para que o dinheiro seja colocado em primeiro lugar. A crença equivocada de que a riqueza tornará a vida melhor resulta no comportamento socialmente incentivado que indica que até mesmo os indivíduos com patrimônio elevado devem aumentar a riqueza possuída para serem mais felizes.No texto anteriormente citado, para compreender mais adequadamente os comportamentos daqueles que são felizes e como administram as trocas entre tempo e dinheiro, foram destacadas as duas seguintes descrições: (i) É possível valorizar mais o tempo do que o dinheiro, com disposição para sacrificar o dinheiro para ter mais tempo. Por exemplo, quando se prefere trabalhar menos tempo e ganhar menos dinheiro, em oposição a trabalhar mais tempo e ganhar mais dinheiro; e (ii) É possível valorizar mais o dinheiro do que o tempo. Por exemplo, quando se prefere trabalhar mais horas e ganhar mais dinheiro, em oposição a trabalhar menos horas e ter mais tempo. Observe, também, situações típicas nas quais as decisões entre escolher tempo ou dinheiro são materializadas, por exemplo, quando se pode comprar um voo mais barato com uma escala mais longa ou um voo direto, porém mais caro; ou ainda, analise as alternativas entre obter um vale para uma prestação de serviços de limpeza doméstica ou um prêmio em dinheiro. Tempo traz felicidade, pois comprar tempo ajuda a combater o estresse e a se sentir menos a sobrecarga das listas de coisas a fazer. Em termos gerais, vale notar, as pessoas sofrem de um mal denominado “tempo livre futuro”, que é caracterizado pela crença de que no futuro se terá mais tempo do que no presente, por isto, é comum se decidir por fazer alguns sacrifícios agora contando com a possibilidade de ter mais tempo depois. É claro, contudo, que quando chega o futuro não se tem efetivamente mais tempo. E então, simplesmente se repete o mesmo erro, indefinidamente. A despeito de que o cérebro e a organização social possam estar conspirando para que seja priorizado o dinheiro ao tempo, foram apresentadas, na coluna de cinco semanas atrás, cinco ações que podem auxiliar na mudança desta conduta, sendo acrescentadas, no artigo seguinte, mais três estratégias complementares e, no artigo três semanas atrás, outras três estratégias adicionais. Por fim, no artigo mais recente, duas estratégias concluíram o programa sugerido.Desde que a professora norte-americana Leslie Perlow, da Harvard Business School, popularizou o termo "fome de tempo" (timefamine, no original em inglês), muito se aprendeu sobre a psicologia da carência de tempo. Em essência, cabe a cada um, individualmente, a decisão de adotar as estratégias indicadas pela literatura especializada no assunto, colocando em prática as lições. Afinal, o tempo é o recurso mais escasso de que se dispõe. Avalie, portanto, o valor que é atribuído ao dinheiro, pois este aspecto é um determinante crítico para a alocação ideal do tempo. Note que é difícil contabilizar o tempo – que é facilmente consumido, desperdiçado e perdido. Poucos planejam cuidadosamente como gastarão o próximo, inesperado e pequeno ganho de tempo. Existe, de fato, cada vez mais uma legítima preocupação com o gasto de uma xícara de café todos os dias, e quanto este simples hábito pode representar no total de gastos em um ano, ou numa década, mas é também fundamental que se tenha preocupação com os minutos que são cotidianamente desperdiçamos e que poderiam ter sido utilizados para obter alegria. Este aspecto é ainda mais relevante na medida em que poucos planejam estrategicamente em como ganhar uma grande parcela de tempo no futuro.É importante que se seja tão cuidadoso com o tempo quanto se deve ser com o dinheiro e com o trabalho. Antes de gastar o próximo centavo, pense se a compra servirá para melhorar o uso do tempo. Antes de tomar a próxima decisão relacionada ao trabalho, pense no impacto que se terá no tempo com a família e no quanto se vai curtir em estar em casa. Relembre que não é verdade que sempre haverá mais tempo no futuro. Não haverá. Pense nos sinais que incentivos e recompensas por desempenho enviam para os funcionários em geral. Pergunte se é possível obter mais tempo para completar projetos, avalie passar menos tempo no trânsito ou gastar menos tempo pegando voos indiretos (com escalas) e mais baratos, pois reduzir o estresse induz ao aumento da produtividade. A felicidade e a saúde podem depender das trocas que se faz todos os dias. Embora usualmente se busque manter o foco nos ganhos financeiros, deveríamos analisar a possibilidade de abdicar de mais dinheiro para ter mais tempo disponível. O tempo é um recurso precioso.

Data: 13.09.2021

Por: Victor Mothé Pereira Nunes - Consultor em Finanças

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