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Pazuello espera avalanche de propostas de vacinas, mas não cita datas

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse ontem que aguarda uma "avalanche" de propostas ao Brasil para a compra de vacinas. O general, porém, não deu data para concretizar as importações de doses prontas do imunizante de Oxford/AstraZeneca, da Índia, e de insumos da China para a produção da Fiocruz e do Instituto Butantan. "Em janeiro, agora, e começo de fevereiro, vai ser uma avalanche de laboratórios apresentando suas propostas. A gente tem de estar com muita atenção e cuidado, para colocar todas elas o mais rápido possível disponíveis, dentro da segurança e eficácia", disse o ministro durante evento do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). A vacinação contra a covid-19 no Brasil começou no domingo, mas há risco de o calendário ser interrompido pela falta de doses. O governo afirma que ainda negocia com empresas como a Pfizer, mas trata com desdém a proposta de venda de imunizantes da farmacêutica. O presidente Jair Bolsonaro chegou a afirmar, em tom irônico, que quem tomar esta vacina pode "virar jacaré". Além disso, o governo corre para garantir importações já contratadas. Pazuello disse que conversou "pessoalmente" duas vezes, ontem, com o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming. "Ele colocou que não há nenhuma discussão política e diplomática, e, sim, burocrática. Ele vai encontrar onde está esse entrave e ajudar a destravar", disse Pazuello. Os insumos da China vão permitir que a Fiocruz e o Butantan produzam, respectivamente, doses das vacinas de Oxford/AstraZeneca e da Coronavac. O general disse ainda que a previsão contratual era de entregar até 31 de janeiro o insumo à Fiocruz. "Estamos nos antecipando ao problema. Só posso acionar (contratualmente), e acionarei (a AstraZeneca) no primeiro dia de atraso, que é após o fim de janeiro", disse. Após acumular ataques à China, o governo brasileiro agora nega divergências políticas e montou uma força-tarefa para negociar a importação deste insumo. O chanceler Ernesto Araújo, porém, tem sido isolado nas discussões. O próprio presidente Jair Bolsonaro já desacreditou a segurança e eficácia da Coronavac citando a sua "origem". O produto foi desenvolvido pela chinesa Sinovac. "Da China, nós não compraremos. É decisão minha. Não acredito que ela transmita segurança suficiente a população pela sua origem, esse é o pensamento nosso", disse Bolsonaro em 21 de outubro, em entrevista à Jovem Pan. Sem apontar datas, o ministro afirmou que a liberação de doses prontas da vacina de Oxford/AstraZeneca da Índia deve ocorrer em breve. "Notícias são muito boas, mas não há data exata da decolagem. Ela será dada nos próximos dias. Nos próximos dias é muito próximo", afirmou o ministro. Pazuello disse ainda que a vacinação no Brasil está "dentro do programado". "É um país continental. Está chegando nos municípios mais distintos", disse o general. O ministro exaltou ainda o trabalho do Sistema Único de Saúde (SUS) e pediu confiança no sistema público. Diante da politização que a corrida por vacina contra a covid-19 resultou no cenário brasileiro, ele afirmou que o País é um só. "Ele nunca foi dividido, ele nunca será dividido", disse. "Confiem no SUS". O ministro iniciou seu discurso afirmando que, em nome das mais de 210 mil mortes por covid-19, a luta contra o vírus "não pode parar". Durante o evento, foi lançado o ImunizaSUS, iniciativa do Conasems com apoio do Ministério da Saúde. O objetivo do programa é capacitar mais de 94 mil profissionais de saúde que atuam direta ou indiretamente nas ações de imunização em municípios de todo o País. Ao reverenciar o SUS e sua universalidade, Pazuello afirmou que o canal Conasems/SUS "permite dar amplitude e capilaridade às nossas ações" - de capacitação do SUS e de agentes de saúde e de pesquisa e comunicação entre todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do País via net. Pazuello afirmou também que o programa, ao fornecer informações técnico-científicas, "vai poder levar o conhecimento até as casas". O ministro informou que o investimento inicial do projeto foi de R$ 58 milhões e que haverá mais R$ 140 milhões para "trabalhar junto com a formação técnica". "Estamos dando um passo grande na melhoria do sistema de saúde", avaliou. O projeto, segundo Pazuello, é "paralelo à vacina e ao combate ao coronavírus". De acordo com o ministro, a pasta está no processo de receber as novas doses dos imunizantes da Oxford/AstraZeneca e do Instituto Butantan. O ministro voltou a Manaus, ontem, dias após uma passagem do ministro pela cidade que ficou marcada pela pressão pelo uso de medicamentos rejeitados por entidades médicas e científicas contra a covid-19, como a cloroquina. O Amazonas está em colapso desde a semana passada e transferiu pacientes de covid-19 a cidades de outros Estados por causa da falta de oxigênio hospitalar. O ministério ainda não divulgou a agenda de Pazuello na cidade. O general tenta afastar do governo federal qualquer responsabilidade pela crise no Amazonas. "Tudo o que o governador pediu já foi feito". Pazuello também disse à imprensa, após o evento, que o ministério "acompanha e apoia" a ajuda ao Estado, mas que as ações estão "a cargo do prefeito e do governador". "Não estão a cargo do Ministério da Saúde", afirmou o ministro. O general esteve na última semana em Manaus. Deixou a cidade no dia 13, véspera de o governo local anunciar que o oxigênio acabara em parte da rede de atendimento, o que causou mortes e deflagrou uma operação para levar o insumo ao Estado e transferir pacientes para outros Estados. O ministério já sabia desde o dia 8 sobre a falta de oxigênio, mas levou a Manaus, na última semana, uma força-tarefa de auxiliares de Pazuello e médicos convidados para percorrer unidades de saúde e pressionar pelo uso do "kit covid", que inclui a cloroquina e outros medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença. Em ofício, o ministério chegou a falar à Secretaria de Saúde de Manaus que seria "inadmissível" não prescrever estes medicamentos. O general também lançou na capital do Amazonas o TrateCOV, aplicativo usado por médicos que, em tese, deveria auxiliar no diagnóstico da covid-19. O programa, porém, indica o 'kit' covid até para um recém-nascido que tem náusea e diarreia. Após a passagem de Pazuello por Manaus, a Procuradoria da República no Amazonas abriu um inquérito civil para apurar se o ministério foi omisso na ajuda à região e optou pela aposta no tratamento contestado. Pressionado, Pazuello modulou o discurso e disse, na segunda-feira, que jamais incentivou o uso de medicamento algum e apenas defendeu o "atendimento precoce". No vocabulário do governo federal, porém, a defesa do atendimento ou tratamento precoce se mistura com a pressão pelo uso da cloroquina. Há farto registro de alegações de Pazuello e de Bolsonaro de que o "kit covid" dá certo. Em 22 de outubro, Pazuello disse ter ficado "zero bala" após tomar o "kit completo" e recomendou que, se o médico não quiser prescrever estes medicamentos, é só buscar outro. Dias mais tarde, o general teve de ser internado num dos hospitais mais caros de Brasília por complicações da covid-19.


Bolsonaro diz que não permitirá venda de terras para estrangeiros

O presidente Jair Bolsonaro afirmou ontem que, se depender de sua atuação e da bancada de deputados federais da Bahia, não permitirá venda de terras e imóveis a estrangeiros. "Esse País é nosso e de cada um de nós", completou o presidente. O presidente também disse esperar entregar mais títulos rurais e afirmou que, com a entrega das propriedades, "as pessoas se libertam de um jugo que outros governos impuseram". "Em dois anos do meu governo nós entregamos mais títulos do que 20 anos de governos anteriores", disse. De acordo com o presidente, "aqui no Brasil, a propriedade privada é sagrada". Bolsonaro cumpriu agenda ontem em Coribe, oeste baiano, para inauguração de trecho recapeado de 67 km da rodovia BR-135, que atende o escoamento de grãos do interior dos Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Acompanharam o presidente os ministros do Turismo, Gilson Machado, e da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, bem como o deputado federal José Rocha (PL-BA). Durante a cerimônia, Bolsonaro elogiou a atuação de Freitas - segundo o presidente, "hoje, a figura mais importante" - e a do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. Apesar das disputas entre pastas sobre a destinação de recursos para investimento em obras de infraestrutura ou atenção ao teto de gastos, Bolsonaro afirmou que, em seu governo, "todos os ministros se entendem e remam na mesma direção". Freitas anunciou também que o governo federal deve entregar 170 km em obras de rodovias recapeadas ou duplicadas na Bahia até o fim de fevereiro. "Vamos entregar mais 25 km de duplicação da BR-101, mais 15 km de duplicação da BR-116. As obras não param. Mais quase 80 km de pavimentação da BR-235, que começa no litoral de Sergipe e termina na Ferrovia Norte-Sul, ou seja, nós estamos integrando o Brasil". Durante a visita, o Ministério das Comunicações entregou um ponto de acesso à internet para os produtores rurais do município de Coribe, no interior da Bahia. O ponto oferece acesso à internet banda larga, gratuita e de alta velocidade do programa Wi-Fi Brasil. A conexão, via satélite, vai atender a quase 500 famílias que vivem no Distrito de Descoberto, região localizada a 30 quilômetros (km) da sede do município de Coribe. De acordo com a pasta, esse já é o quarto ponto de internet que chega à cidade de Coribe. Dois estão em escolas e outro em um posto de atendimento do Cadastro Único. Ao todo, o estado da Bahia conta com 1.809 pontos de conectividade por satélite. O Wi-Fi Brasil (Gesac) é um programa do governo federal, desenvolvido pelo Ministério das Comunicações com a parceria da Telebras. O objetivo é levar conectividade em alta velocidade a todas localidades do país, onde não há nenhuma ou pouca conexão, permitindo cumprir os objetivos nacionais da política pública de telecomunicações. O sinal é enviado pelo Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações (SGDC), um equipamento brasileiro de altíssima tecnologia, que fica a 36 mil km do nosso planeta e cobre todo o país. “Essa é uma medida importante que vai levar conectividade aos moradores da região, beneficiando a produção pecuária, atividade base dessa comunidade. Vale ressaltar que a conectividade é a chave para otimizar processos. Tenho certeza que os produtores farão bom uso”, disse o ministro das Comunicações, Fábio Faria. Atualmente, o Brasil já conta com mais de 12.800 pontos instalados nos 26 estados e no Distrito Federal. Desses, mais de 9.600 estão em escolas públicas, quase 500 em comunidades indígenas e quase 400 em unidades de saúde. Bolsonaro afirmou ontem também que se Deus quiser, vai continuar o seu mandato, e, em 2022, o pessoal escolhe. Ele deu a declaração em meio à explosão de pedidos de impeachment contra ele. Desde o início do mandato, 61 foram protocolados na Câmara; apenas sete são anteriores a março de 2020, quando teve início a pandemia de coronavírus. Aos apoiadores, ele disse que tem muita "gente boa" para escolher nas eleições presidenciais do próximo ano e que espera que os "bons" se candidatem para não deixar os "mesmos" no pleito.


Covid-19 multiplica pedidos de impeachment de Bolsonaro

As falhas do governo federal no combate à covid-19 fizeram explodir os pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro. Desde o início de seu mandato, 61 foram protocolados na Câmara dos Deputados; apenas 7 pedidos são anteriores a março do ano passado, quando teve início a pandemia. A crise sanitária nacional e a falta de oxigênio que provocou a morte de pacientes no Amazonas e no Pará são base também para uma nova denúncia coletiva que, pela primeira vez, une cinco partidos de oposição (PT, PDT, PSB, Rede e PCdoB) e deve ser protocolada até o fim da semana. Há 56 pedidos de impeachment parados sob responsabilidade da presidência da Câmara, a quem cabe submeter as denúncias ou não à análise dos deputados. Outros 5 foram arquivados por questões formais, como a falta de assinaturas. Embora tenha evitado analisar as denúncias e esteja prestes a encerrar seu mandato à frente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) disse no início da semana que será "inevitável" discutir o impeachment de Bolsonaro "no futuro". A pressão de partidos e movimentos sociais para que Bolsonaro seja processado por crime de responsabilidade cresceu significativamente nas últimas semanas e consolida a tendência iniciada com a pandemia. Panelaços voltaram a ser registrados após o caos em Manaus. Neste fim de semana, por exemplo, estão previstas carreatas em diversas capitais com o mote #Fora Bolsonaro. Do total de 56 pedidos ativos de impeachment, 10 foram protocolados em maio do ano passado, 13 em abril e 14 em março. Ao menos 26 das denúncias contra o chefe do Executivo citam sua participação em manifestações antidemocráticas, em atos e falas contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal; 21 pedidos tratam diretamente de ações do presidente no combate à covid-19. As denúncias consultadas nesta reportagem foram divulgadas em levantamento da Agência Pública. A reportagem também analisou uma lista enviada pela Secretaria-Geral da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, que inclui os protocolos arquivados. Entre os 21 pedidos que tratam da pandemia, os motivos citados incluem a interferência de Bolsonaro em ações de distanciamento social promovidas por Estados e municípios, a promoção de medicamentos sem eficácia comprovada contra a covid-19 e a participação em aglomerações sem máscara. Em julho, um documento assinado por personalidades como Chico Buarque, Walter Casagrande, Frei Betto e Dira Paes afirmava que "o presidente minimizou o problema desde que o SARS-CoV-2 (...) chegou ao país, ora mencionando tratar-se de uma 'gripezinha', ora buscando realizar campanhas contra o distanciamento social". A denúncia conclui que Bolsonaro cometeu crimes de responsabilidade contra a segurança do País, contra a probidade na administração, contra a existência da União e contra o livre exercício dos direitos políticos, individuais e sociais. O documento mais antigo em análise é de 13 de março de 2019, foi apresentado pela advogada e artista plástica Diva Maria dos Santos e se refere a uma publicação de Bolsonaro no twitter, citando "golden shower" - vídeo postado pelo presidente (e depois apagado) em que dois homens aparecem em atos obscenos no carnaval. Movimentos de esquerda e de direita e representantes da sociedade civil convocaram para sábado e domingo (23 e 24) atos pró-impeachment do presidente Jair Bolsonaro em ao menos oito capitais. Os protestos ganharam a adesão de organizações que estiveram em lados opostos durante o impeachment da presidente Dilma Rousseff, como a Frente Povo Sem Medo e o Movimento Brasil Livre (MBL). Apesar da pauta conjunta, os protestos serão em dias separados.




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