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Marun diz que aliados terão de entregar os cargos se apoiarem Ciro

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, disse na sexta-feira que os partidos da coalizão que apoiarem Ciro Gomes, pré-candidato do PDT ao Palácio do Planalto, devem entregar os cargos na equipe do presidente Michel Temer. O Centrão, formado por PP, DEM, Solidariedade e PRB, avalia a possibilidade de se aliar a Ciro e anunciará sua posição nos próximos dias. Marun classificou a investida do pedetista sobre o bloco como "uma completa hipocrisia". "Eu, sinceramente, espero que os partidos que apoiarem Ciro Gomes deixem o governo", afirmou o ministro. "Não estou dizendo que ou apoiam o Meirelles (Henrique Meirelles, candidato do MDB) ou saem do governo. Não é isso. Mas é que Ciro ofende. Pelo menos não queremos candidatos que surjam no palanque para dizer que reforma trabalhista foi um crime e todos fiquem com cara de paisagem. Ou então vai ser a 'Escolinha do Professor Ciro' e ele vai dizer "vocês fizeram isso errado". "Imaginem o bloco dos 'golpistas' puxado por Ciro Gomes e a turma toda lá dentro?", provocou. O Palácio do Planalto ameaça tirar cargos do PP se a sigla fechar com Ciro. Terceira bancada na Câmara, com 49 deputados, o PP é o maior partido do Centrão e controla os Ministérios da Saúde, Cidades e Agricultura - com orçamentos que, juntos, somam R$ 153,5 bilhões -, além de ter o comando da Caixa. Marun afirmou que já conversou com o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), sobre o assunto, mas negou o "enquadramento". Estendeu também a ameaça da retirada dos cargos a outros partidos, como DEM, PRB e Solidariedade. O primeiro foco do ataque do ministro foi Ciro Gomes, que recentemente chamou Temer de "quadrilheiro" e "ladrão". Depois, porém, disse que os aliados apoiadores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato do PT ao Planalto e preso da Lava Jato, também devem deixar o governo. O senador Renan Calheiros (MDB-AL), que concorre à reeleição, é um dos parlamentares do MDB que dão aval a Lula. "Renan jamais seria ministro desse governo", alfinetou Marun. Articulador político do Planalto, o ministro disse que "há uma completa hipocrisia" e "oportunismo" por parte de Ciro ao buscar aval de partidos aliados do governo, uma vez que o pré-candidato do PDT foi contra os principais projetos da administração Temer, como as reformas da Previdência, trabalhista e o teto de gastos "Não cabe a aliança entre partidos contrários ao impeachment, à reforma trabalhista e ao estabelecimento do teto de gastos públicos, pelo menos no primeiro turno. Agora, no segundo turno vai se buscar quem é menos pior", comentou Marun. Para o ministro, os partidos que estão no governo e aceitam compor com Ciro estão "equivocados" e compactuam com a "hipocrisia" e o "oportunismo". Na prática, o Centrão, que se autodenomina 'Blocão', ainda não decidiu quem apoiar para a Presidência. O grupo está dividido e há quem defenda aderir à campanha do pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. Marun, no entanto, concentrou suas críticas em Ciro. "Alckmin não é meu candidato. Eu prefiro Meirelles e acho que ele tem melhor condição. Só que Alckmin, mesmo que não tenha tido posições claras (em referência às denúncias contra Temer), é outro tipo de candidato", disse o ministro. Lembrado que há na lista de partidos aliados os que querem apoiar o pré-candidato do PSL, Jair Bolsonaro (como o PR, que comanda o Ministério dos Transportes), Marun afirmou torcer para o deputado não vencer as eleições. "Mas Bolsonaro votou a favor do impeachment (da então presidente Dilma Rousseff) e pelo menos não nos chamou de golpista", insistiu. Marun afirmou "torcer" para que as negociações políticas "voltem à razão" e confirmou que Temer não participará da campanha nem subirá nos palanques. O governo tem 79% de reprovação, segundo recente pesquisa Ibope, em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), e Temer é campeão no quesito impopularidade. Procurado, o presidente do DEM, ACM Neto, disse que não aceitará enquadramentos do Planalto. "Nós não vamos nos submeter à pressão de ninguém. A decisão do partido será tomada com independência e observando os interesses partidários", afirmou ACM Neto, que também é prefeito de Salvador. O DEM comanda o Ministério da Educação e, nos bastidores, dirigentes do partido afirmam que entregarão a pasta se fecharem com o pré-candidato do PDT. Ciro Nogueira, presidente do PP, não retornou às ligações da reportagem.


Gleisi cobra do PSB 'aliança formal' ao PT

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, cobrou na manhã de sexta-feira que o PSB feche "uma coligação formal" com seu partido para apoiar a candidatura à Presidência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Operação Lava Jato. "A nossa posição é de uma coligação formal. A nossa resolução diz exatamente isso, que as alianças a serem construídas de forma prioritária com PSB e PCdoB são alianças formais. Nós queremos que estejam na chapa, estejam junto na chapa com o presidente Lula. (O desejo do PT) não é que eles liberem os Estados", afirmou. Em visita a Salvador, onde se reuniu com lideranças petistas e com a Executiva Estadual do PT, a senadora paranaense afirmou uma que uma possível decisão do PSB pela neutralidade na eleição presidencial não interessa ao seu partido. "A nossa posição é de uma coligação formal. A nossa resolução diz exatamente isso, que as alianças a serem construídas de forma prioritária com PSB e PCdoB são alianças formais. Nós queremos que estejam na chapa, estejam junto na chapa com o presidente Lula. (O desejo do PT) não é que eles liberem os Estados", afirmou Gleisi à reportagem antes de reunir-se com a Executiva do PT baiano. A manifestação da senadora ocorre um dia após o governador de Pernambuco e vice-presidente do PSB, Paulo Câmara, pré-candidato à reeleição, declarar apoio à postulação de Lula ao Palácio do Planalto. A afirmação é também uma resposta ao prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), que descartou a possibilidade de uma aliança com o PT na eleição presidencial. Na ocasião, Lacerda afirmou que o partido ou apoiaria Ciro Gomes (PDT) ou ficaria neutro na disputa ao Planalto. Em entrevista concedida na manhã de sexta-feira à Rádio Eldorado, o deputado Julio Delgado, vice-líder do PSB na Câmara, lamentou que o partido esteja enfrentando essa divisão interna, pois dirigentes da legenda já haviam manifestado apoio ao pré-candidato do PDT, Ciro Gomes. Após a declaração pública de Câmara, Delgado acredita que será muito difícil o PSB seguir unido neste pleito e a tendência é que a sigla libere os Estados e cada um siga o caminho que lhe for mais conveniente, priorizando as alianças regionais. Nos bastidores, contudo, o PT aposta que, na pior das hipóteses, terá o apoio dos diretórios pessebistas no Norte e no Nordeste. Segundo interlocutores petistas, em jantar com o governador da Bahia, Rui Costa (PT), no fim da noite de quinta-feira, Gleisi disse estar otimista quanto às negociações, após a declaração de apoio feita por Paulo Câmara e uma conversa que teve com o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB). A crença da senadora, afirmou um dos participantes da reunião, é que pelo menos a neutralidade do PSB pode ser conquistada - o que ajudaria a isolar Ciro Gomes. Durante o encontro, a senadora deu a Rui Costa e ao ex-governador e ex-ministro Jaques Wagner a tarefa de coordenar a campanha de Lula no Nordeste. Ela informou ainda que a Bahia teria prioridade na divisão do fundo eleitoral, o que está programado para acontecer no dia 20 de julho, em reunião da Executiva Nacional do PT, em Brasília. Também estavam presentes o vice-presidente nacional do PT, Márcio Macedo, o deputado federal Paulo Pimenta, o presidente do PT na Bahia, Everaldo Anunciação, e dois representes da direção estadual do partido na Executiva Nacional, Ivan Alex Lima e Sara Gabriela. As reuniões sobre a eleição presidencial feitas pelo Centrão - bloco de partidos liderado pelo DEM e composto por PP, PRB e Solidariedade - também foram alvo de Gleisi na manhã desta sexta-feira. Ela afirmou que as legendas "não conseguiram até agora definir candidato nem ter um programa para o País" e minimizou a força parlamentar e o tempo de TV do bloco. "Só com base parlamentar não se ganha eleição. Qual o programa deles para a economia? Qual o candidato que vai personificar isso? Não tem. Eles estão em uma situação muito difícil. A pauta do Centrão é o que o país está vivendo hoje, junto com o PMDB e junto com a direita. Não tem candidato desse campo que consiga despontar, porque não tem projeto para o país", afirmou Gleisi, citando desemprego e privatizações como pautas do bloco. A senadora disse ainda que, caso o Centrão decida apoiar o pedetista Ciro Gomes, ele seria obrigado a defender o governo Michel Temer. "O Ciro vai pegar essa pauta? Vai defender Temer? Porque vai ter que defender. Essa é a pauta desses partidos. Inclusive salvaram Temer de duas denúncias. Se for pegar essa pauta, vai ter que saber das consequências, vai ter que fazer essa defesa no palanque, porque não pode ir para o palanque falar uma coisa e depois propor outra", afirmou. Gleisi não descartou, contudo, uma aliança com Ciro no segundo turno. "Nós só temos condições de fazer alianças com aqueles que não reivindicam a cabeça de chapa. Isso não quer dizer que no segundo turno nós não vamos conversar. Temos que sentar com todos os partidos da centro-esquerda, progressistas, que querem a reconstrução do Brasil, para fazermos uma frente única no segundo turno", disse a presidente do PT.


Ministro quer todos os estados no sistema de boletins de ocorrência

O Ministério da Segurança Pública vai intensificar a participação dos estados em um sistema nacional de boletins de ocorrência. Segundo balanço divulgado na sexta-feira pela pasta, até agora, apenas 11 dos 27 estados da federação têm suas bases de dados no novo sistema. Alguns estados, como o Pará e o Amazonas e todos os das regiões Sul e Sudeste, incluindo o Rio de Janeiro, que está sob intervenção na área de segurança pública desde fevereiro, estão entre as unidades federativas que ainda não atualizam as informações na base nacional de dados. A integração está prevista na lei que criou o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), que entrou em vigor na quinta-feira e, segundo o ministro Raul Jungmann, a partir de agora, passa a ser obrigatória. Com isso, mandados de prisão e a ficha de criminosos, por exemplo, passam a ser compartilhadas nacionalmente. “Esse é o caminho de todas as nações do mundo que enfrentaram o crime organizado”, disse o ministro. Até agora, o ministério, que dará aos estados todo o suporte para a integração, investiu R$ 230 milhões no sistema, desenvolvido pela mesma empresa que cuida dos dados da Receita Federal. Os estados que não aderirem podem perder os recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública. A expectativa da pasta da Defesa é que, até 2019, o sistema esteja todo integrado e funcionando. “O boletim nacional de ocorrências vai permitir um salto em termos de produtividade no combate ao crime, além da integração das nossas policias”, afirmou Jungmann. Ao falar sobre a entrada em vigor do Susp, o ministro destacou que o novo sistema envolve União, estados e municípios. “Não tínhamos um sistema nacional de segurança pública, tínhamos um federalismo acéfalo, cada estado definia sua política de segurança pública. Agora temos que ter uma política nacional de segurança que passa a ser definida com participação de vários órgãos do governo federal, com a participação da sociedade civil organizada, do Ministério Público, Judiciário e da academia”, destacou. Sobre o anúncio feito na sexta-feira pelo ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, de que o governo vai revogar a Medida Provisória (MP) 841, que transferiu parte dos recursos das loterias federais para o Ministério da Segurança Pública, Jungmann ressaltou que a decisão do governo é manter os recursos para a segurança e, ao mesmo tempo, recompor o orçamento da cultura e dos esportes. "Estamos conversando para encontrar uma solução que contemple a todos. Como a MP anterior já está vigendo, nós não perdermos um tostão”, explicou o ministro. Ele informou que uma nova medida provisória com o mesmo objetivo deve ser editada pelo governo com essas alterações. Outro assunto comentado por Raul Jungmann foi a soltura de Leomar Oliveira Barbosa, de 55 anos, ex-braço direito do traficante Fernandinho Beira-Mar. Segundo a Diretoria-Geral de Administração Penitenciária, Playboy, como é conhecido Leomar, foi solto irregularmente, do Presídio Estadual de Formosa, no Entorno do Distrito Federal, no dia 4 deste mês. Servidores da unidade foram afastados e estão sendo investigados. “Acho um desastre. Isso ter ocorrido é um equívoco, no meu ponto de vista. É criminoso e tem que se identificar quem são os responsáveis e puní-los. É inaceitável prender um bandido como esse e ele ser solto por um equívoco. Difícil até de acreditar”, comentou o ministro. Sobre o pedido de intervenção federal no Acre, apresentado nesta semana ao presidente Michel Temer por alguns senadores e deputados da bancada do estado, Jungmann lembrou que um pedido como este deve ser feito pelo governador do estado, no caso, Tião Viana, mas não foi o que ocorreu.




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