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Bolsonaro diz que Eduardo será embaixador na maior potência do mundo

O presidente Jair Bolsonaro voltou a dizer que quer que um de seus filhos, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), assuma a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos. Durante a posse do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, Bolsonaro afirmou que, "se Deus quiser", Eduardo vai ser embaixador "na maior potência do mundo". Caso Bolsonaro formalize a indicação, a nomeação terá que ser validada pela Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado. Bolsonaro falou sobre os filhos ao citar a relação de amizade que possuem com Gustavo Montezano desde a juventude, pois moraram no mesmo condomínio no Rio de Janeiro. O presidente disse todos "daquela garotada" "lutaram muito", citando que "muitos fritaram hambúrguer". "Vejo que, daquela garotada do condomínio, temos um presidente do BNDES. Temos um Senador da República (Flávio Bolsonaro), que, por ser meu filho, tem seus problemas potencializados. E teremos, se Deus quiser, um embaixador na maior potência do mundo", disse o presidente. "Até porque um pai, mesmo sendo deputado na época, não tinha como bancar o aperfeiçoamento dele nos Estados Unidos e ele (Eduardo) tinha que trabalhar", continuou Bolsonaro. Após a sinalização de que poderia virar embaixador, Eduardo citou que, além de ser presidente da Comissão de Relações Exteriores na Câmara, possui "vivência pelo mundo". "Já fiz intercâmbio, já fritei hambúrguer lá nos Estados Unidos, no frio do Maine", declarou Eduardo. Após o evento ontem, Bolsonaro disse que Eduardo já tem vontade de morar nos Estados Unidos "há muito tempo", mas que pediu para que ele ficasse no Brasil. Também comentou que o deputado "está tendo a chance de voltar" para os EUA, embora a indicação para assumir a embaixada não tenha sido formalizada. "Meu filho só ficou no Brasil... Já era para estar nos Estados Unidos há muito tempo, por um apelo meu lá atrás, passou no concurso da Polícia Federal e decidiu ficar aqui. Agora está tendo uma chance de voltar, não por ele, mas dado o que temos com o presidente americano e dada a sua bagagem cultural que tem lá de trás", defendeu Bolsonaro. O presidente reafirmou a intenção de indicar Eduardo Bolsonaro para assumir a embaixada brasileira em Washington, apesar de destacar que há ainda um grande caminho pela frente. "Ou vocês queriam que eu indicasse o meu filho para a Venezuela, Cuba, Coreia do Norte?", questionou o presidente. De acordo com ele, faltam algumas questões técnicas para que a indicação seja formalizada. "Tem um caminho grande pela frente. Há um termo técnico com os Estados Unidos para ver se eles têm algo contra, tem que falar com o Parlamento", afirmou. O presidente disse também que não haverá desgaste com o Senado e contou que já conversou sobre o tema com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Se Eduardo Bolsonaro for indicado, os senadores terão que aprovar a sua ida para o comando da representação diplomática. Segundo Bolsonaro, Alcolumbre lhe disse que ainda não conversou com os parlamentares. "O Senado vai sabatiná-lo e vai decidir. Ponto final. Se aprovado, vai. Se não for aprovado, ele fica na Câmara. (...) Lógico que se corre um risco", disse o presidente. Bolsonaro ressaltou ainda que o deputado tem experiência com palestras realizadas em outros países, nas quais teria tido que falar em outros idiomas, e com a presidência da Comissão de Relações Exteriores da Câmara. "É uma pessoa que está muito qualificada, o que é importante", disse. Bolsonaro repetiu que, se o filho de outro presidente fosse embaixador no Brasil, teria um tratamento diferenciado, recebendo mais atenção dele próprio. "Se eu fosse um mau caráter, indicaria ele para um ministério desses que vocês sabem que tem dezenas de milhões de orçamento. A intenção não é essa, é nos aproximarmos do país que tem a economia mais próspera do mundo para que possamos juntos andar de mãos dadas", disse. Para Bolsonaro, seu filho perderá muito mais ao deixar o cargo de deputado para virar embaixador. "Mas toda a população vai ganhar", ponderou. O presidente voltou a dizer que a indicação não configura nepotismo e disse que há uma súmula do Supremo Tribunal Federal (STF) neste sentido. "Graças a Deus, como capitão do Exército, tive como lhe dar uma boa educação e a prova está aí. Tentar desqualificá-lo por fritar hambúrguer... eu frito hambúrguer melhor que ele, talvez por isso que eu seja presidente", disse. Bolsonaro afirmou ainda que o filho foi "fritar hambúrguer" nos Estados Unidos para praticar o inglês. O presidente disse ainda não ter conhecimento da decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que atinge a investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Ao ser questionado sobre o assunto por jornalistas, Bolsonaro respondeu que "quem fala sobre isso são os nossos advogados".


Mourão defende a reforma política para reduzir número de partidos

O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão (PRTB), defendeu ontem uma reforma política para acabar com a "proliferação de partidos" e disse ser favorável à adoção do sistema de voto distrital. "É mais necessário do que nunca que o partido político realmente seja o transmissor das ideias da sociedade. A sociedade hoje na maioria das vezes não se vê representada", afirmou Mourão, sugerindo a diminuição do número de legendas e o barateamento do sistema. As declarações foram dadas em São Paulo após uma palestra com cerca de 300 empresários e representantes de entidades patronais e sindicais no Hotel Unique, na zona sul da capital paulista, onde foi lançado o Instituto Brasil 200. O vice afirmou ser "francamente favorável" ao voto distrital para aproximar o eleitor do seu eleito. Segundo ele, isso também faria os partidos se fortalecerem e aumentaria a identificação entre representante e representado. Um grupo de trabalho do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) propôs à Câmara adotar já em 2020 o sistema distrital misto em cidades com mais de 200 mil habitantes. Questionado sobre como aprovar uma reforma política no Congresso Nacional, Mourão disse que há três pontos. "Política é uma trilogia: clareza porque todos têm que entender, não só os congressistas; determinação, para poder levar adiante isso aí, e paciência, porque o jogo político é paciência". O vice-presidente da República afirmou ainda que a gestão econômica do país nos últimos 15 anos foi "desastrosa" e que o trio "incompetência, má gestão e corrupção" andou de mãos dadas em Brasília. "A gestão econômica dos últimos 15, 16 anos, foi desastrosa por ter sido mal feita, por ter gente incompetente como timoneiro e, pior ainda, por ter sido assaltada pela corrupção. Esse trio incompetência, má gestão e corrupção infelizmente andou de braços dados ali na Esplanada dos Ministérios", criticou o vice-presidente em alusão aos governos Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer. O vice-presidente também defendeu uma relação pragmática nas relações internacionais. "Em relações internacionais, as amizades são entre Estados e não entre governos. Os interesses dos Estados ora coincidem, ora não. Temos que ter visão pragmática na parte de relações internacionais", disse ele, sem falar especificamente sobre o caso. Nos últimos dias, o presidente Jair Bolsonaro tem sido criticado por ter tornado pública a intenção de nomear para a Embaixada em Washington (EUA) o filho, deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). A ideia foi criticada inclusive por antigos ocupantes do cargo, como os ex-embaixadores Rubens Ricupero e Marcílio Marques Moreira. Hamilton Mourão elogiou o presidente Jair Bolsonaro em diversos momentos de sua palestra de quase uma hora para 400 empresários. Também defendeu transformar o Brasil na "maior, mais vibrante e mais próspera democracia liberal do Hemisfério Sul". Mostrando mapas, disse que o Brasil deve ser a grande civilização ao Sul do Equador. O vice-presidente também criticou a Organização das Nações Unidas em seu discurso. "A ONU hoje, como Conselho de Segurança que ainda representa a ordem que terminou naquele conflito 2ª Guerra Mundial, se tornou anacrônica, não resolve o que está acontecendo no mundo", afirmou.


Toffoli suspende processos que contêm dados sem autorização judicial

Após um pedido da defesa do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, suspendeu ontem todos os processos judiciais que tramitam no País onde houve compartilhamento de dados da Receita Federal, do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e do Banco Central com o Ministério Público sem uma prévia autorização judicial, ou que foram instaurados sem a supervisão da Justiça. Toffoli tomou a decisão em um processo em que se discute a possibilidade ou não de os dados bancários e fiscais do contribuinte serem compartilhados sem a intermediação do Poder Judiciário. Com a determinação do ministro, todos os casos que tratam sobre a controvérsia ficam suspensos até que o STF decida sobre a questão. O julgamento pelo plenário está marcado para novembro. A decisão do presidente da Corte deve ter efeitos sobre o processo que tramita contra Flávio Bolsonaro, um dos filho do presidente Jair Bolsonaro, no Ministério Público do Rio de Janeiro. Foi um pedido da própria defesa do senador que resultou na medida tomada por Toffoli, mas a decisão não deixa expresso se a investigação contra Flávio também está suspensa. No caso, o Ministério Público estadual pediu a quebra de sigilo com o fim de investigar a suposta prática dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no gabinete do ex-deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A defesa de Flávio afirma que o MP-RJ se utilizou do Coaf como "atalho" e se furtou ao controle do Poder Judiciário. "Sem autorização do Judiciário, foi realizada devassa, de mais de uma década, nas movimentações bancárias e financeiras", afirmam. O advogado do senador anota também que o Ministério Público já estaria em poder das informações bancárias e fiscal fornecidas pelo Coaf quando a quebra do sigilo foi "posteriormente autorizada judicialmente". O processo pelo qual Toffoli tomou a decisão entrou em destaque em março deste ano, quando teve o julgamento marcado pelo presidente da Corte - que acabou adiado. O caso ressurgiu na esteira de uma forte reação do STF após vazamento de informações do Fisco sobre procedimentos abertos para analisar dados fiscais de ministros de tribunais superiores, como Gilmar Mendes, e familiares. O caso causou uma grave crise na Receita. Integrantes do Supremo entendem que os auditores extrapolaram suas funções, entrando em seara criminal, que não é de competência do Fisco. Na decisão, Toffoli invoca o poder de cautela para suspender os procedimentos. O presidente da Corte observa que o "Ministério Público vem promovendo procedimentos de investigação criminal (PIC), sem supervisão judicial, o que é de todo temerário do ponto de vista das garantias constitucionais que assistem a qualquer indiciado ou a qualquer pessoa sob investigação do Estado".




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