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Onyx Lorenzoni ataca jornal, nega caixa 2 e diz não temer ninguém

O ministro Extraordinário do governo de transição de Jair Bolsonaro (PSL), Onyx Lorenzoni, reagiu à reportagem publicada pela Folha de S.Paulo de que teria recebido R$ 100 mil a mais de caixa 2 em 2012, do grupo JBS, "Jair Bolsonaro, Sérgio Moro e Onyx Lorenzoni são combatentes contra a corrupção, não me incluam nessa lama petista", disse Lorenzoni. Ao chegar ao CCBB, onde funciona o governo de transição, ele fez um pronunciamento demonstrando irritação. Ele afirmou que recebeu "molotovs" (bomba caseira), de seus adversários petistas, pediu "trégua" à imprensa e disse que o novo governo "não tem paz para se organizar e trabalhar". "Há tempos tentam destruir Bolsonaro e agora tentam fragilizá-lo. Eu não temo ninguém, tenho a verdade comigo", disse. "Vamos parar com o terceiro turno em respeito à decisão das urnas", emendou. Lorenzoni afirmou desconhecer a pessoa que fez a delação à PGR e voltou a afirmar que a planilha apresentada por executivos do grupo JBS aos procuradores é falsa. Ele fez diversas críticas à Folha de S.Paulo, acusando o jornal de defender o PT. Sobre o portal UOL, do mesmo grupo da Folha, Onyx Lorenzoni questionou um repasse, segundo ele, de R$ 340 milhões do Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) ao site, sem entrar em detalhes. Lorenzoni começou seu discurso se defendendo de acusações de 2005, quando, segundo ele, o PT tentou caçar seu mandato na Câmara, falsificando uma assinatura, do então ministro Tarso Genro. Ele também se defendeu sobre o caso envolvendo a Odebrecht. "Eu provei que aquela denúncia era mentira e aquela denúncia era falsa", disse. Lorenzoni não quis responder as perguntas feitas pelos jornalistas sobre esse assunto na quarta. Em relação à nova equipe do governo, o ministro disse que o nome do deputado Luiz Mandetta (DEM-GO) conta hoje com a "preferência" de Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Saúde, mas que o martelo sobre o tema deve ser batido apenas na próxima semana. "O deputado Mandetta tem hoje a preferência do presidente Bolsonaro. Mas, ao que sei, precisar vir o apoio da comunidade da saúde, e isso deve acontecer na próxima semana", comentou Onyx. "Torço muito por isso, porque na área da saúde não há nenhuma dúvida sobre competência do deputado, ele é quase uma unanimidade." Onyx minimizou as denúncias sobre o deputado, dizendo que é muito difícil que qualquer agente que assuma um cargo de comando de secretaria ou ministério não tenha questionamento. "Basta uma denúncia - e essa denúncia foi feita por um vereador do PT - que o Ministério Público tem que levar adiante, senão é prevaricação. Mas aí vem o processo e vem a celeuma, mas essa coisa está há quase seis anos porque não tem fundamento." Mandetta responde a um inquérito aberto quando era secretário da Saúde de Campo Grande (MS). Ele é acusado de pagar a serviços médicos não executados. O parlamentar nega irregularidades no caso. Lorenzoni disse ainda que a equipe do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) trabalha com duas propostas para o futuro do Ministério do Trabalho. Em uma delas, parte das atribuições da pasta será transferida para o futuro ministério da Produção, como deverá se chamar o atual Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Em outra, essas funções seriam herdadas pelo futuro ministério da Cidadania. No primeiro modelo, o atual MDIC, que deve ceder a parte de comércio exterior para o futuro ministério da Economia, abrigaria as funções do Trabalho e também a secretaria de politicas públicas para o emprego. Já a concessão das cartas sindicais, que têm sido um "foco permanente de corrupção", para o futuro ministério da Justiça e da Segurança Pública, que será assumido pelo juiz Sérgio Moro no ano que vem. No segundo modelo, as funções do Trabalho vão para o ministério chamado Cidadania, que vai congregar desenvolvimento social, direitos humanos e ações para recuperar os dependentes de drogas. "Para sair de 30 ministérios para 15 ou 17, tem que fazer essa estruturação, e isso é bem complexo", comentou Lorenzoni.


General que vai chefiar Defesa vê Forças Armadas distantes da política

Anunciado na terça-feira pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, como futuro ministro da Defesa, o general da reserva Fernando Azevedo e Silva disse que "não acredita" em risco de politização das Forças Armadas. "As Forças estão afastadas da política. O representante político das Forças Armadas é o ministro da Defesa", afirmou. Com a escolha, Bolsonaro optou por manter a pasta sob o comando de um militar do Exército. De perfil moderado e com experiência na relação com o Congresso, Azevedo e Silva é o segundo general confirmado no primeiro escalão do futuro governo - além dele, o general da reserva Augusto Heleno foi indicado para ser ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência. Azevedo e Silva ocupa atualmente o cargo de assessor especial do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. Em conversa por telefone, ele disse que a eleição de Bolsonaro não representa a volta dos militares ao poder - o presidente é capitão reformado do Exército, o vice, Hamilton Mourão, também é general da reserva e Marcos Pontes, futuro ministro da Ciência e Tecnologia, é tenente-coronel da Aeronáutica. Bolsonaro anunciou a escolha de Azevedo e Silva pelo Twitter. Depois, já em Brasília, onde desembarcou na terça-feira, o presidente eleito justificou a escolha citando o vasto currículo do general. Paraquedista como Bolsonaro, de quem é amigo dos tempos da Academia Militar, Azevedo e Silva integra a ala moderada das Forças Armadas. Segundo interlocutores, o general possui um perfil eclético e flexível, o que lhe permitiu já ter passado pelos três Poderes. O presidente Michel Temer já havia quebrado a sequência de civis no comando da Defesa, o que ocorria desde a criação do ministério, em 1999. Temer escolheu como ministro o general da reserva Joaquim Silva e Luna, em fevereiro deste ano. Na campanha, Bolsonaro havia prometido manter um militar à frente da pasta, apesar das críticas de diversos setores. O martelo foi batido na segunda-feira à noite, quando o presidente eleito telefonou para Azevedo e Silva e sacramentou o convite. Inicialmente, o lugar havia sido reservado para o também general da reserva Augusto Heleno, que, na semana passada, foi deslocado para ocupar o GSI. Mas, desde quarta-feira da semana passada, quando se reuniu com o presidente do Supremo, Bolsonaro indicou a Toffolli que poderia precisar do antigo companheiro em algum posto em seu governo, principalmente pelo seu perfil conciliador e agregador. Naquele mesmo dia, o presidente eleito havia indicado que para a vaga de Heleno na Defesa poderia ser nomeado um almirante de Esquadra. O nome que estava entre os militares e chegou a ser sugerido pelo comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, para o cargo, com endosso do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Nivaldo Rossato, era o do titular da Armada, almirante Eduardo Leal Ferreira. O atual comandante da Marinha, no entanto, estava com outros planos para o seu futuro. Com isso, Bolsonaro decidiu ir para a sua chamada "reserva técnica". A escolha de mais um oficial do Exército para o Ministério da Defesa gerou descontentamentos entre oficiais da própria Marinha e da Aeronáutica. Para a sucessão nas três Forças, as preferências por nomes fora da ordem de antiguidade foram abandonadas e a tendência é de que a opção seja pelos três mais antigos das forças, critério que evita maiores contestações. O currículo de Fernando é extenso e variado e tem distintas ligações com diversos segmentos políticos. Assumiu a Autoridade Pública Olímpica, em outubro de 2013, no governo Dilma Rousseff. Foi chefe da ajudância de ordens do ex-presidente Fernando Collor. No exterior, uma de suas funções foi no Haiti, onde exerceu o cargo de Chefe de Operações do II Contingente do Brasil na Minustah.


Doria diz que novo pacto federativo não vai exigir novos recursos da União

O governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), disse na quarta-feira que a proposta de novo pacto federativo não exigirá novos recursos da União para os Estados. Segundo o tucano, a ideia é descentralizar as decisões para que os governadores tenham mais independência para investirem recursos já orçados para áreas como Saúde, Educação, Transportes, Infraestrutura e Segurança Pública. "Há uma decisão política do presidente eleito Jair Bolsonaro para realizarmos esse novo pacto federativo. Os governadores terão mais agilidade para fazer suas políticas. Os recursos já existem e não dependerão de emendas, por isso o pacto poderá ser implementado o mais rápido possível", afirmou Doria, ao chegar ao Fórum dos Governadores. "A contrapartida exigida será um esforço de ajuste fiscal por parte dos governos estaduais", adiantou Dória. "Também falamos sobre Previdência e governabilidade", acrescentou o governador eleito de São Paulo. O governador do Piauí, Wellington Dias, afirmou que os governadores eleitos do Nordeste têm "todo interesse" em trabalhar em conjunto com a Federação a partir do próximo ano. Dias foi o único representante do Nordeste no encontro dos governadores eleitos em 2018 com a participação do presidente Bolsonaro, em Brasília. "Estou bastante animado que vamos poder dialogar. A disposição do Nordeste é do diálogo", afirmou ao chegar no evento. Segundo Dias, os demais governadores nordestinos não compareceram porque tinham outros compromissos. Ele justificou, ainda, que o encontro foi organizado por três governadores, e não pelo presidente eleito. A reunião foi uma iniciativa dos governadores eleitos de São Paulo, João Doria (PSDB), do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), e do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) para debater propostas de atuação conjunta dos Estados e também dar um panorama dos principais problemas. "Todos do Nordeste gostariam de estar aqui. O que acontece é que é uma iniciativa de três governadores eleitos e não do presidente eleito", destacou o governador do Piauí. Dias afirmou que os governadores do Nordeste pretendem marcar uma reunião com Bolsonaro após a posse, no início do ano que vem, e devem entregar uma manifestação com os principais interesses da região, citando como prioridade a área da segurança pública e também a geração de empregos. Sobre as pautas do novo governo, Dias não descartou apoio à reforma da Previdência, mas disse que é preciso defender "que (a proposta) não se transforme em prejuízo aos mais pobres e mulheres". "É uma pauta nacional, claro que é possível trabalhar a Previdência", respondeu. Ao chegar ao evento, o governador eleito do Pará, Helder Barbalho (MDB), defendeu políticas regionalizadas para os Estados e o pagamento de recursos da Lei Kandir, que compensa os Estados pela perda de tributos sobre bens exportados. Barbalho pediu que Estados e União trabalhem juntos para corrigirem os problemas nas duas esferas. "É hora de trabalhar de forma conjunta, dissociar o governos estaduais e federal é um equívoco", completou. O governador eleito de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) disse que sua equipe ainda está levantando informações sobre as finanças do Estado, que passa por uma grave crise fiscal. "A nossa intenção é trazer todos os indicadores para dentro das metas", disse. O governador eleito de Roraima, Antonio Denarium (PSL), disse que o Estado "não suporta mais" a crise migratória de venezuelanos. "O governo federal tem que ver esse problema como um problema do Brasil. O Estado de Roraima não suporta mais ficar sozinho e tratar dessa questão", disse Denarium, durante fórum de governadores realizado em Brasília. Além disso, o governador eleito afirmou que Roraima está sendo penalizada por questões ambientais e indígenas. Para ele, o fato de 46% do território do Estado ser destinado a áreas indígenas pode dar surgimento a uma nova nação e que isso "é um grande risco para a soberania" do Brasil. O futuro governador acrescentou que a preservação ambiental de 20% da área de Roraima "tem atrapalhado o desenvolvimento do nosso Estado". Denarium defendeu também uma repactuação da dívida dos Estados brasileiros. Durante a reunião em Brasília, os governadores eleitos do Amapá, Acre e Amazonas defenderam uma ação nacional para combater o tráfico de armas e drogas em regiões de fronteira. Ao falar sobre Segurança Pública, o governador reeleito do Amapá, Waldez Góes (PDT), afirmou que o assunto precisa ser tratado nacionalmente. "Estados de fronteira alimentam o narcotráfico para São Paulo e Rio de Janeiro e muitas vezes isso não é comprado como uma tese nacional e ficam os Estados do Rio e São Paulo sofrendo muito, quando deveríamos ter um pacto nacional com relação aos Estados de fronteiras", disse Já o governador eleito do Acre, Gladson Cameli (PP), falou em "fechar" fronteiras para combater o tráfico. "Precisamos urgentemente fechar aquelas fronteiras e dar uma segurança", declarou, ao dizer que a fronteira do Acre está "totalmente aberta" e que não há segurança atualmente. O governador eleito do Amazonas, Wilson Lima (PSC), também defendeu um controle das fronteiras para combater a entrada de produtos ilegais no país. Durante a reunião com governadores, Bolsonaro afirmou que quer preservar o meio ambiente, mas "não dessa forma que está aí". Ele culpou políticas ambientais e indigenistas pelo atraso de algumas regiões do país e disse que "o índio quer ser o que nós somos". Bolsonaro citou como exemplo a situação de Roraima, que disse ter potencial para ser "o Estado mais rico do Brasil". "Se não tivesse problemas ambientais e indigenistas, tinha tudo para ser Estado mais rico do Brasil. Esse é um problema que temos que resolver. O índio quer ser o que nós somos, o índio quer o que nós queremos. Se temos na Bolívia um presidente índio, por que aqui o índio tem que ficar confinado numa reserva?", declarou Bolsonaro . Ele contou que está na iminência de anunciar o nome do seu ministro do Meio Ambiente e afirmou que "não será o que dizem". Lembrou, ainda, que desistiu de fundir a pasta com a Agricultura por orientações do setor produtivo.




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