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Alberto Goldman defende que PSDB reveja candidatura de Aécio ao Senado

No "day after" em que o Supremo Tribunal Federal (STF) tornou réu por corrupção o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o ex-governador de São Paulo e ex-vice-presidente nacional do PSDB Alberto Goldman, uma das lideranças históricas da sigla, defende que o partido reveja a candidatura dele ao Senado Federal nas eleições gerais deste ano Ele reconheceu que a decisão do STF traz um desgaste político ao PSDB, principalmente num ano eleitoral, por isso argumentou que a legenda deve ponderar com muito cuidado se deve ter Aécio candidato (à reeleição ao Senado) em Minas Gerais: "Uma candidatura majoritária de Aécio não me parece conveniente nessas eleições", avaliou. A posição de Goldman é a mesma de outras lideranças do partido e do próprio presidenciável tucano, ex-governador Geraldo Alckmin, pelo temor de que o episódio possa gerar desgaste em uma campanha que promete ser muito acirrada e cujo cenário ainda está bem pulverizado. Oficialmente, Alckmin, que também é presidente nacional da legenda, diz que Aécio é quem decidirá sobre seu futuro político Mas, nos bastidores, há um movimento para tentar descolar esse episódio do partido como um todo, caracterizando-o com um problema pessoal do senador mineiro e não um modus operandi do PSDB. "É um episódio individualizado, que não atingiu o partido em sua totalidade, mas do ponto de vista político trouxe um desgaste", afirmou Goldman. Na entrevista, o ex-presidente nacional do PSDB disse que a obrigação da Justiça, neste caso, é levar as investigações adiante, fazendo ressalva de que "podem não existir provas contra Aécio, mas há indícios" e que alguém que foi presidente nacional da legenda não poderia jamais ter pedido dinheiro ou tido uma conversa daquelas com um empresário (Joesley Batista, do grupo J&F). Para Goldman, a perda de liderança nacional de Aécio Neves é clara. "Se esvaiu, sua posição no PSDB ficou fragilizada", avaliou. Por isso defende que, mesmo que tenha prestígio junto ao seu eleitorado (em Minas Gerais), não seria conveniente para o PSDB que Aécio seja candidato a um cargo majoritário neste pleito. "O partido não tem culpa (do que ocorreu), mas sofreu um desgaste e vamos sofrer com isso na campanha", disse Goldman. O ex-governador de São Paulo e ex-vice-presidente nacional do PSDB Alberto Goldman disse que "não há força possível neste mundo" que o faça votar no correligionário tucano João Doria, ex-prefeito da capital paulista e candidato da legenda ao governo de São Paulo nessas eleições. O ex-vice-presidente nacional do PSDB elevou a temperatura das críticas, dizendo que já alertou Alckmin sobre o desejo do ex-prefeito disputar o Palácio do Planalto. "Se Doria puder puxar o tapete do Alckmin, ele o fará, já alertei o (ex) governador", disse Goldman. Na entrevista, Goldman disse que Doria representa o contrário, o oposto de tudo aquilo que ele acredita fazer parte dos princípios democráticos: "Doria nunca quis ser prefeito, mas candidato à Presidência da República. Se Doria for eleito governador de São Paulo, não vai governar, como fez na Prefeitura." O tucano disse ainda que, se puder, tentará convencer outros correligionários a não votarem no ex-prefeito nessas eleições. Sobre a candidatura de Márcio França (PSB), que assumiu o governo de São Paulo com a saída de Geraldo Alckmin e tentará a reeleição, com o apoio de parte do tucanato, Goldman preferiu não tecer comentários.


Randolfe Rodrigues protocola novo pedido de impeachment contra Temer

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) protocolou um novo pedido de impeachment contra o presidente Michel Temer ontem na Câmara dos Deputados. A denúncia popular sugere "possível prática de crime de responsabilidade" por causa de obra na casa de uma das filhas do presidente, que teria sido paga em dinheiro vivo pela mulher do coronel João Baptista Lima Filho, amigo do emedebista. A Polícia Federal investiga a reforma no imóvel da psicóloga Maristela Temer sob a suspeita de que tenha sido bancada com dinheiro de propina da JBS. Um dos fornecedores da obra afirmou, na semana passada, que os pagamentos eram feitos em espécie por Maria Rita Fratezi, esposa do coronel. Lima Filho foi preso por três dias no final de março, alvo da operação Eskala, e sua esposa foi intimada a depor na mesma operação. Randolfe sugere que o Congresso Nacional deve responder se o presidente Temer mentiu ao dizer, por duas ocasiões, durante o exercício do mandato presidencial, que não recebeu valores não contabilizados para campanhas, o chamado caixa 2, e que não realizou transações financeiras com o coronel Lima. O parlamentar considera que, caso o Congresso rejeite seu pedido, assumirá o "ônus político" de julgar que "a prática de corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro, cumulada ao ato de improbidade de enriquecimento ilícito, por parte do Presidente da República, e sua tentativa de ocultar tais delitos, prestando declaração falsa à autoridade policial, é compatível como comportamento ético esperado do ocupante do Planalto". "De outra sorte, caso (o Congresso) entenda como positiva tal resposta (de que Temer mentiu), assumirá que tal comportamento criminoso e deletério, uma vez devidamente comprovado, no curso da instrução do feito junto ao Senado Federal, não se coaduna com 'a dignidade, a honra e o decoro do cargo.'" Esta não é a primeira vez que Temer é denunciado por crime de responsabilidade na Câmara. Em 2016, o advogado Mariel Marley Marra apresentou pedido de impeachment contra o então vice-presidente alegando que ele cometeu os mesmos crimes da ex-presidente Dilma Rousseff. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e líderes governistas, no entanto, não fizeram esforço pela instalação do colegiado, que não possui indicações suficientes até hoje para começar os trabalhos. O senador afirmou ainda que Temer "ofendeu atribuições inerentes ao cargo e seu compromisso com probidade e moralidade administrativa" ao dizer que não utilizou recursos de caixa 2 em sua campanha a vice-presidente, em 2014, e negar transações comerciais com coronel João Baptista Lima Filho, seu amigo. Para Randolfe, as declarações representam "mentiras explícitas" e Temer deve responder por crime de responsabilidade. "Agora tem um fato novo... Para esse pedido de impeachment tem o depoimento do presidente da República, que tem o dever de falar a verdade." Randolfe avalia que a prisão preventiva de parte dos amigos de Temer, no final de março, demonstra que recursos de caixa 2 e de propina foram destinados para a construção de bens pessoais particulares da família do presidente, fatos negados anteriormente por ele. "Isso contradiz flagrantemente depoimento do presidente", considera o senador. "Caberá ao presidente Rodrigo Maia responder se uma mentira por parte de um mais alto mandatário, em depoimento judicial, em uma investigação policial, é ou não crime de responsabilidade. Para mim e para a Rede isso configura crime de responsabilidade explícito por parte do presidente e fere de morte os seus deveres", disse Randolfe após protocolar o pedido. Embora a comissão tenha sido criada, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), ela não foi instalada até ontem por falta de vontade política. Sem as indicações dos líderes governistas, o colegiado não possui membros suficientes para começar os trabalhos.


Zé Dirceu recorre ao Supremo para evitar prisão da Lava Jato

Fora da prisão por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-ministro José Dirceu entrou com pedido na Suprema Corte para evitar que seja preso após seu processo ser finalizado na segunda instância da Justiça. O requerimento foi feito por meio de uma reclamação ao STF, mesma ação em que ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou evitar a prisão, e agora espera uma nova decisão da Corte. O relator da ação de Dirceu no STF é o ministro Dias Toffoli. Dirceu aguarda em liberdade o julgamento de seu último recurso no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), marcado para hoje. O TRF-4 aumentou a pena de Dirceu de 20 anos e 10 meses para 30 anos e 9 meses pelos crimes de corrupção passiva, pertinência a organização criminosa e lavagem de dinheiro. A defesa do ex-ministro da Casa Civil alega que, quando a Corte, em maio do ano passado, revogou a sua prisão preventiva e a substituiu por medidas cautelares, fez prevalecer, em seu caso, o princípio da presunção da inocência. De acordo os advogados de Dirceu, uma decretação de prisão após julgamento no TRF-4 estará desrespeitando a decisão da Corte, proferida pela Segunda Turma, que analisou seu habeas corpus. "Quanto ao mérito, há que se considerar, primeiramente, que no julgamento do referido Habeas Corpus nº 137.728, em que paciente o ora reclamante, foram afastados todos os motivos utilizados pelo juízo de origem para justificar a decretação da prisão cautelar de José Dirceu", argumenta a defesa. Os advogados também dizem que a decretação da prisão de forma "automática e genérica" vai contra a jurisprudência do STF, que autoriza a execução antecipada da pena, mas não a tornou obrigatória, na visão dos advogados. "É certo que a decisão dessa Segunda Turma fez referências à "possibilidade" de prisão quando esgotado segundo grau de jurisdição, ou que esta estaria "autorizada" após o julgamento dos recursos no tribunal. Todavia, nem de longe, determinou que a prisão do paciente, ora reclamante, se desse de forma obrigatória, muito menos de forma automática e genérica, sem sequer se dispender uma linha que fosse para justificar a necessidade de seu encarceramento", diz a defesa de Dirceu. Os advogados ainda argumentam que, solto, Dirceu não oferece riscos. Ele atualmente mora em Brasília e usa tornozeleira eletrônica. O ex-ministro havia sido preso por determinação do juiz Sérgio Moro em agosto de 2015.




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