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Economia


Castelar disse que o juro baixo terá efeito limitado pela segunda onda

Com os efeitos de uma nova onda de covid-19 no Brasil, os juros baixos têm efeito limitado na recuperação da economia, avalia Armando Castelar, coordenador de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). Ele estima que a Selic, os juros básicos, feche 2021 em 3,5%. “Veio no sentido de sinalizar uma postura mais apertada. O 'forward guidance' (prescrição futura) foi descontinuado, a expectativa era que isso não ocorresse e foi uma surpresa. Embora o comunicado do BC aponte que não vai subir juros na próxima reunião, é um primeiro sinal. E a questão da inflação é mais preocupante do que na reunião anterior.” Castelar disse que a decisão de retirar o 'forward guidance' foi uma medida acertada. “Estava menos confortável do que o consenso parece indicar. A proporção de itens que têm subido de preço aumentou. Que o BC vai subir juros este ano, em algum momento, já se sabia. Mas foi um sinal importante.” Ele lembrou que os fatores que têm feito a inflação subir se dão pelo choque muito forte de preços. “Caso o BC não tivesse baixado os juros tanto, o câmbio poderia não ter sido tão afetado, mas a subida dos preços dos alimentos surpreendeu, e a atividade econômica se recuperou mais rápido do que se imaginava ano passado, principalmente na indústria e no comércio. A inflação, em si, espantou, mas o que preocupa é a subida de preços ter se disseminado.” Castelar disse que ao chegar a uma taxa real de juros muito negativa, começou-se a criar pressão para fundos de renda fixa. Isso foi administrado, mas era uma preocupação grande. “À época, me pareceu que o corte de juros precisaria ser revertido rapidamente. Acredito que a atitude mais acertada tivesse sido baixar os juros para até 3% ao ano e observar o efeito. Agora, será preciso subir juros mais cedo do que se não tivessem cortado tanto. Até o fim do ano, imagino que a Selic esteja em 3,5%.” Segundo ele, os juros baixos ajudaram muito no lado fiscal, mas têm pouco efeito prático na recuperação da economia agora. “Com a queda dos juros, eu esperava um impacto mais forte na construção civil, por exemplo. O problema é que os juros curtos da Selic estão negativos, mas os juros longos, não. Isso acontece pela preocupação com o lado fiscal e diminui o impacto dos juros sobre a economia. O que está segurando a atividade é a pandemia: as escolas não funcionam, o transporte público não opera por completo. O resumo é que os juros até ajudam, mas o impacto global é limitado pela questão sanitária. A economia vai estar pior este ano do que precisava estar. Poderia começar a melhorar no segundo trimestre, mas acho que a melhora só virá no segundo semestre.” Castelar afirmou que a melhor medida econômica, portanto, é controlar a pandemia. “Estamos vivendo uma segunda onda, a diferença é que os governos têm resistido a fechar comércio e negócios, ao contrário do segundo trimestre do ano passado. Mas uma série de atividades continuam sentindo o efeito da covid-19. Nesse sentido, 2020 ainda não acabou. Mas quando os mais vulneráveis forem vacinados, a economia deve ter um alento.” Ele lembrou que o BC cita que um pacote fiscal expressivo esperado nos Estados Unidos (com o controle dos Democratas nas duas Casas) entrou no radar. “A nova secretária do Tesouro, Janet Yellen, é grande defensora do estímulo para reativar a economia americana. Ela disse que eles vão 'agir grande'. Não é pensar grande, mas agir grande.”


CEO da Copel descarta interferências políticas na empresa

Em teleconferência ontem, o diretor-presidente da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), Daniel Slaviero, apresentou ao mercado os pilares que nortearão a nova política de governança corporativa da elétrica, destacando que os administradores terão total independência do acionista controlador para tomar as melhores decisões de alocação de capital com transparência, disciplina e visão de médio e logo prazo. A gestão da Copel pretende migrar a empresa para o nível 2 de Governança Corporativa da B3. Porém, o governo do Paraná condicionou essa migração à realização de oferta pública secundária de ações ou de Units, sendo que o valor mínimo esperado para venda de R$ 73,00 ação, opção considerada legítima O governo paranaense também condicionou seu voto favorável a migração à realização de oferta pública em conjunto com o BNDESPar. A participação do banco soma 24%, mas a maior parte está na forma de ações ordinárias, pouco líquidas e de difícil venda. O Estado do Paraná possui 31,1% do capital da Copel (58,6% das ações ON) e poderia vender até 14,4% que ainda continuaria controlando a empresa com 16,7%. Caso a oferta seja concretizada, a operação marcará o retorno da Copel ao mercado de ações, uma vez que desde 1997 a empresa não realiza nenhuma nova emissão de ativos. Apesar das condicionantes, Slaviero comemorou as alterações no estatuto da Copel e disse que o eventual insucesso no processo de liquidação das ações do governo não prejudicará os avanços conquistados, como a busca por independência política nas decisões da companhia, melhor alocação de capital e visão de longo prazo. "Simplesmente a companhia seguirá no Nível 1, mas todos os outros processos seguirão na estrutura da companhia, em especial da implementação da Unit. Estamos convencidos de que isso trará bastante liquidez e reforço para a companhia", disse ele. "Particularmente, seria muito bom migrar para o Nível 2 no sentido da governança", externou sua opinião particular. O executivo reforçou que, diferente do que já ocorreu no passado, o represamento de reajustes tarifários na distribuída para atender demandas políticas "nunca mais será um assunto a ser tratado dentro da Copel", reforçando que nenhuma decisão será tomada sem a devida avaliação técnica e aprovação dos acionistas. Segundo ele, tudo que foi apresentado faz parte de um plano maior de criação de valor da Copel. Em linha com as novas tendências do mercado financeiro, a remuneração dos executivos será atrelada ao atingimento das metas de ESG (Environmental, Social and Governance) - conceito que avalia a operações de empresas em relação aos impactos ambientais, sociais e a qualidade da governança. "Reforço o que esse processo foi conduzido de maneira técnica, independente e com total autonomia dessa gestão", disse o CEO.


Índia vai exportar doses de vacina para Brasil amanhã

O governo da Índia liberou as exportações comerciais de vacinas contra a covid-19. As primeiras remessas serão enviadas na sexta-feira para Brasil e Marrocos, disse o secretário de Relações Exteriores da Índia, Harsh Vardhan Shringla, ontem à Reuters. O ministro das Comunicações, Fábio Faria, compartilhou a informação pelas redes sociais. As vacinas desenvolvidas pela farmacêutica britânica AstraZeneca e pela Universidade de Oxford estão sendo fabricadas no Instituto Serum da Índia, o maior produtor mundial de vacinas, que recebeu pedidos de países de todo o mundo. O governo indiano suspendeu a exportação de doses até iniciar seu próprio programa de imunização no fim de semana passado. No início desta semana, a Índia enviou suprimentos gratuitos para países vizinhos, incluindo Butão, Maldivas, Bangladesh e Nepal. O secretário disse que o fornecimento comercial da vacina começará amanhã, de acordo com o compromisso do primeiro-ministro Narendra Modi de que a capacidade de produção da Índia seria usada por toda a humanidade para combater a pandemia. “Seguindo essa visão, respondemos positivamente aos pedidos de fornecimento de vacinas manufaturadas indianas de países de todo o mundo, começando pelos nossos vizinhos”, disse ele, referindo-se ao fornecimento gratuito. “O fornecimento das quantidades comercialmente contratadas também começará a partir de amanhã, começando por Brasil e Marrocos, seguidos pela África do Sul e Arábia Saudita”, acrescentou. O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, declarou em entrevista coletiva na segunda-feira que a conclusão da viagem para trazer um carregamento de vacinas importadas da Índia deveria ter uma resolução ainda “nesta semana”. “Estamos contando com essas 2 milhões de doses para que a gente possa atender mais ainda a população”, informou Pazuello na ocasião. Ontem, os Emirados Árabes Unidos aprovaram o uso emergencial da vacina contra a covid-19 Sputnik V, da Rússia. "Nos esforçamos para ajudar as pessoas dos Emirados Árabes Unidos a terem acesso a uma vacina russa segura e eficaz contra o coronavírus baseado em uma plataforma comprovada e bem pesquisada de vetores adenovirais humanos", afirmou o CEO do Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF, na sigla em inglês), Kirill Dmitriev. A Sputnik V, que apresentou eficácia de 91,4% contra a covid-19, foi testada nos Emirados Árabes Unidos. De acordo com o RDIF, o fornecimento das doses da vacina ao país será facilitado por Índia, China e Coreia do Sul.




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