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Economia


Atividade econômica caiu em todas as regiões do país

O BC divulgou na sexta-feira o Boletim Regional na cidade de Curitiba, Paraná. No documento, a análise da atividade nas regiões leva em conta os dados até maio deste ano. A atividade econômica da região Nordeste caiu 2,3% no trimestre encerrado em maio, ante o trimestre finalizado em fevereiro. Segundo o BC, "a economia do Nordeste tem apresentado recuperação mais moderada, com oscilações nos principais indicadores, evidenciando menor consistência do crescimento comparativamente ao observado em âmbito nacional". "A paralisação do transporte de carga refletiu negativamente, porém com efeitos transitórios, na indústria local e em outros segmentos importantes", acrescentou o BC no documento. Para a instituição, a elevação da confiança dos consumidores e o crescimento da produção agrícola vão contribuir para a retomada da atividade nos próximos meses. A atividade econômica da região Sul recuou 1,5% no trimestre encerrado em maio ante o trimestre finalizado em fevereiro, quando havia subido 0,1%. De acordo com o BC, "a paralisação no setor de transporte de cargas afetou negativamente, mas de forma transitória, a atividade na Região Sul". "O IBCR-S variou -2,6% em maio, após crescimento de 1,7% em abril. O movimento na margem interrompe tendência de recuperação da economia regional delineada, sobretudo, no setor industrial". No entanto, conforme o BC, "o cenário prospectivo para a economia do Sul contempla a absorção dos efeitos da paralisação dos transportes de cargas, com reversão da alta na inflação observada no período, recomposição da oferta em junho e continuidade da retomada gradual da atividade nos meses seguintes". A atividade econômica da região Centro-Oeste cedeu 0,7% no trimestre encerrado em maio, ante o trimestre finalizado em fevereiro, quando havia cedido 0,6%. No documento, o BC pontuou que "a atividade econômica no Centro-Oeste, após o impulso gerado pela safra recorde de 2017, registrou ritmo de expansão mais moderado, contrastando com o comportamento observado no país". "Em maio, a paralisação no setor de transporte rodoviário de carga impactou principalmente as indústrias de alimentos, produtos químicos e de veículos, além dos serviços de transporte No agregado, entretanto, os efeitos da paralisação na região foram menores que os estimados na atividade nacional", acrescentou a instituição no documento. A atividade econômica da região Norte recuou 1,6% no trimestre encerrado em maio deste ano, ante o trimestre finalizado em fevereiro, quando havia avançado 1,9%. De acordo com o BC, "o crescimento da atividade nos últimos cinco trimestres foi interrompido pelo impacto negativo da paralisação do setor de transporte de cargas". "Observou-se crescimento das vendas do comércio, em parte, pela antecipação de compras em razão do temor de desabastecimento, e comportamento benigno no mercado de trabalho, com geração de mais postos de trabalho formais em comparação aos anos anteriores." Conforme o BC, apesar de a greve dos caminhoneiros ter impactado negativamente a economia do Norte do país, "mantêm-se as perspectivas de continuidade da retomada econômica na região". A atividade econômica da região Sudeste cedeu 0,6% no trimestre encerrado em maio, ante o trimestre finalizado em fevereiro, quando havia subido 0,1% na mesma base de comparação. De acordo com o Banco Central, "o aumento do comércio, acima da média nacional, e as reduções na produção da indústria e na atividade do setor de serviços em magnitudes menores do que as assinaladas para o país implicaram retração menos intensa da atividade, no período analisado". O BC pontuou ainda que o consumo das famílias "segue liderando o processo de retomada, em parte impactado pelo incremento nas operações de crédito às pessoas físicas e pelo crescimento da massa salarial". O Banco Central afirmou que "o nível de incerteza relativo ao ritmo de implementação de reformas e de ajustes na economia segue como principal fator de risco para o processo sustentado de crescimento". A avaliação aparece em conclusão de capítulo em que o BC trata do desempenho da economia no país a partir de indicadores regionais. De acordo com o BC, "a economia brasileira, que segue operando com elevado grau de ociosidade, repercute a retomada da atividade nas diversas regiões, observando-se, entretanto, arrefecimento no ritmo de recuperação na margem". A instituição pontuou ainda que, "no trimestre, a greve dos caminhoneiros trouxe impactos negativos sobre o desempenho do setor produtivo e sobre os preços ao consumidor, contaminando a avaliação dos indicadores". O BC divulga o Boletim Regional na cidade de Curitiba, Paraná. No documento, a análise da atividade nas regiões leva em conta os dados até maio deste ano. Na última quarta-feira, porém, o BC já havia divulgado seu Índice de Atividade (IBC-Br) de junho, que indicou recuperação firme da atividade após a greve dos caminhoneiros, que afetou a economia em especial no mês de maio. O IBC-Br de junho subiu 3,29% ante maio, na série ajustada No segundo trimestre do ano, considerando todo o Brasil, houve recuo de 0,99% da atividade.


ANP propõe que Petrobras divulgue componentes dos seus preços

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) quer que os agentes econômicos envolvidos no comércio de combustíveis, incluindo a Petrobras, divulguem os componentes dos seus preços. A proposta faz parte da minuta de resolução divulgada na quinta-feira e que vai à consulta pública no próximo dia 20. Por 30 dias a agência ouvirá o mercado sobre o tema. No Ministério da Fazenda, não há consenso sobre a eficácia da medida. Para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), há chance de estímulo à cartelização. Já a ex-diretora geral da ANP e consultora da FGV Energia, Magda Chambriard, vê com estranheza a proposta. Petrobras, importadores e distribuidores disseram que ainda avaliam as propostas da agência e que ainda não têm uma posição sobre o documento. "O mercado de derivados é de muito curto prazo. Os dados de reajuste são estratégicos. É possível que, ao obrigar as empresas a divulgarem suas fórmulas de formação de preços, a agência engesse a gestão das companhias e prejudique a concorrência. Acho estranho expor o negócio de uma empresa", afirmou Chambriard. A minuta de resolução divulgada pela agência prevê que "produtores e importadores deverão enviar à ANP as informações de preço de lista parametrizado, para cada um dos produtos à venda, em cada ponto de entrega, no ato do reajuste do preço ou da alteração dos parâmetros da fórmula". Na prática, significa que as empresas, entre elas a Petrobras, vão ter que divulgar ao mercado as margens de lucro obtidas com a venda de cada produto e em cada região do país. A diretoria da Petrobras já se posicionou no passado contra a divulgação da fórmula que utiliza para definir os seus preços, com o argumento de que, além de acompanhar as cotações internacionais e o câmbio, ainda avalia o mercado e a competição com importadores para definir os valores dos combustíveis em suas refinarias. A estatal também utiliza, portanto, um critério que não é numérico para decidir seus reajustes, que é o cenário econômico do momento e a capacidade de os consumidores absorverem os aumentos de preços. No Ministério da Fazenda, não há consenso de que a divulgação dos componentes de formação dos preços de cada agente econômico vai beneficiar o consumidor final. A ANP publicou em seu site nota técnica na qual descreve contribuições divergentes sobre o tema recebidas pela Secretaria de Acompanhamento Fiscal, Energia e Loteria (Sefel) e pelo Cade. Os dois órgãos ligados à Fazenda apresentam argumentos acadêmicos que ora sustentam a iniciativa, ora apontam os riscos à concorrência. "Uma medida regulatória menos intervencionista, e possivelmente mais eficaz, seria exigir dos agentes de mercado ampla transparência na sua política de fixação de preços", disse a Sefel. Mas, para o Cade, "o aumento da publicidade também gera uma pressão de preços para cima, considerando o maior risco de colusão (formação de cartel)", argumentou o conselho à ANP. Em seguida, propôs que a agência avalie "o formato e a extensão da divulgação das informações de preços". Após a consulta pública, o mercado será ouvido em audiência marcada para o dia 3 de outubro.


Indústria paulista tem saldo positivo de mil vagas em julho

A geração de postos de trabalho pela indústria paulista teve um saldo positivo de mil vagas em julho, revelaram na sexta-feira a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). O resultado representa ligeira queda de 0,1% em comparação a igual mês do ano anterior na série com ajuste sazonal. Já na comparação sem ajuste sazonal com o mês anterior, houve leve avanço de 0,04%. No acumulado do ano até julho, a geração de vagas no setor industrial paulista ficou positiva em 17 mil e, segundo a Fiesp, nível inferior à média histórica de contratações no período de janeiro a julho (43.000 postos criados por ano). A entidade aponta que o segundo semestre do ano tradicionalmente tem mais demissões do que contratações, o que pode "frustrar a expectativa de criação líquida de vagas em 2018". O presidente em exercício da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, aponta que será difícil ocorrer uma melhora do emprego até o fim do ano. "Não há fato novo que faça prever melhora do emprego até o final do ano. Nos últimos dez anos, somente em um deles, 2010, houve criação de empregos", explica o executivo em nota. "Isso é muito ruim, porque a indústria sempre foi a mola propulsora do desenvolvimento de São Paulo. Passar esse longo tempo sem gerar mais empregos, com baixo investimento, é muito preocupante", complementa. De acordo com a Fiesp, o ritmo mais lento que o esperado da atividade econômica e a repercussão da greve dos caminhoneiros em maio ajudam a explicar o número mais tímido na geração de vagas. A incerteza em torno do tabelamento do frete rodoviário e a indefinição no cenário eleitoral pesam sobre a confiança do empresário industrial. De 22 setores da Indústria analisados, houve contratação líquida em 11, enquanto outros três ficaram estáveis e oito tiveram saldo negativo de vagas. O setor que mais contribuiu para o resultado mensal foi o de veículos automotores, reboques e carrocerias, com saldo de 1.585 vagas em julho. Ao mesmo tempo, o setor de máquinas e equipamentos gerou 1.311 postos de trabalho, enquanto o de produtos diversos contribuiu com 1.252. Entre os destaques negativos, houve corte de 2.738 vagas no setor de confecção de artigos do vestuário e acessórios, e perda líquida de 664 vagas no de produtos alimentícios. Na análise por regiões, foi registrado saldo positivo em apenas 16 das 36 áreas pesquisadas, com redução em 13 e estabilidade em outras sete. Destaque para a geração de vagas em Araçatuba (2,06%). Já pelo lado negativo, Santa Barbara D'Oeste teve maior peso, com redução de 5,51%, seguida por Bauru (-1,6%) e Presidente Prudente (-1,54%).




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