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Lazari diz que Bradesco entregará o que propôs em termos de balanço

O presidente do Bradesco, Octávio de Lazari, afirmou que o banco não contou com uma "bala de prata" para entregar os resultados em 2018 ao analisar o quase primeiro ano de sua gestão. "Soubemos extrair resultados fundamentais. Não teve bala de prata. Todas as linhas, de crédito, do banco de atacado, de alta renda, ajudaram. Soubemos aproveitar bem as oportunidades no quase primeiro ano da nossa gestão", disse ele, em almoço com a imprensa, na sexta-feira. De acordo com Lazari, o ano de 2018 foi difícil com o cenário político, uma eleição polarizada e a greve dos caminhoneiros. "Se um estrangeiro entrasse aqui em janeiro e voltasse em dezembro, encontraria um país tranquilo. Jamais imaginaria que o dólar passou dos R$ 4,20", exemplificou o presidente do Bradesco Disse ainda que, apesar de um "ano difícil", o Bradesco vai chegar ao fim do ano entregando o que propôs em termos de balanço. Sobre a rentabilidade (ROE, na sigla em inglês) do banco, ele disse que espera que o ano de 2019 seja um ponto de partida para melhora do indicador e não de chegada. Acrescentou ainda que os modelos de crédito sinalizam a melhora da inadimplência no próximo exercício. Do lado da seguradora, o presidente do banco disse que, apesar de a companhia não estar cumprindo seu guidance de prêmios de seguros, conseguiu ajustar seu índice de sinistralidade, que impacta em termos de resultado. Lazari afirmou ainda que não "faz sentido" fechar o capital da empresa de cartões Cielo, mesmo quando se leva em conta que está compensando comprar ações da companhia. "A Cielo tem valor que não está bem precificado", disse. A Cielo tem de repensar seu modelo de negócios para se tornar ainda mais competitiva, disse o vice-presidente do Bradesco, Marcelo Noronha. "A competição vai aumentar no mercado, as margens estão diminuindo", disse ele também negando planos de fechar o capital da empresa, que é "core" nos negócios do banco. "Não estamos debatendo o fechamento de capital da Cielo. O assunto não está na mesa." "A Cielo é importante na nossa cadeira de valor", disse Lazari. "A nossa expectativa com a Cielo é a melhor possível", afirmou o presidente do Bradesco, ressaltando que o cenário de concorrência mudou para a Cielo, por isso a necessidade de repensar a companhia. Perguntado sobre a fatia da Caixa na Cielo, Noronha ressaltou que a participação é minoritária e o banco público não influencia a gestão ou mudanças estruturais da empresa. O presidente do Bradesco afirmou ainda que o Nubank é uma ameaça para a estratégia digital do banco, mas que a fintech assim como os demais novos entrantes têm de ser respeitados. "Eu gostaria de ter os cinco milhões de clientes do Nubank. O Nubank é uma ameaça, mas vem fazendo um bom trabalho e precisa ser respeitado", destacou. Apesar de ressaltar o trabalho do Nubank, o presidente do Bradesco ressaltou a necessidade de se levar em conta os serviços prestados e também as tarifas. Essa semana, a fintech brasileira lançou um cartão de débito, que pode ser usado para pagamentos e também para saque de recursos nos caixas eletrônicos (ATM, na sigla em inglês) da rede do Banco24horas, mas com a cobrança de uma taxa para cada retirada. De acordo com o presidente do Bradesco, o braço digital da instituição, batizado de Next, superou as expectativas e deve encerrar o ano com 500 mil clientes. "Nossa meta era abrir entre 2 mil e 2,5 mil contas por dia. Já estamos abrindo 5 mil. O Next é uma aposta vencedora e acreditamos que vai se fortalecer como um canal de distribuição do banco", avaliou. Já o cartão de crédito do Bradesco para concorrer com o Nubank, o digio, conforme o vice-presidente do banco, Marcelo Noronha, deve bater a casa do 1 milhão de clientes. Do lado da rede física, o presidente do Bradesco disse que os ajustes de fechamento de agências já ocorreu e que atualmente o trabalho que o banco tem feito é apenas de acompanhamento diário e mudanças pontuais. Ele lembrou que a instituição fechou 457 agências em 2016, 200 no ano passado e deve encerrar o exercício atual com menos 150 unidades. O presidente do Conselho do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, afirmou no evento do banco com a imprensa que se não for possível o governo de Jair Bolsonaro aprovar a reforma da Previdência necessária, que consiga aprovar a possível. "Mais que otimistas, estamos esperançosos com 2019", disse Trabuco, ressaltando que espera avanço também na reforma do Estado. O executivo destacou que o regime de Previdência por repartição está em crise em alguns países do mundo, por isso a necessidade de reforma. A avaliação de Lazari é que é difícil a Caixa e o Banco do Brasil serem privatizados neste momento, pois o governo terá outras prioridades. O executivo ressaltou que os dois bancos públicos têm cerca de 50% do mercado de crédito e os bancos privados querem ter participação maior nesse mercado. Noronha afirmou que o mercado espera crescimento de 10% no crédito a empresas no próximo ano em meio à retomada da economia brasileira. Tanto as linhas de empréstimos, como, por exemplo, de trade finance, como no mercado de capitais, com emissões de dívida e de renda variável, tendem a apresentar melhores desempenhos no próximo ano. "O crédito corporativo ainda não voltou, mas vai retomar em 2019", reforçou a diretora do Bradesco, Denise Pavarina. A expectativa positiva do banco vale tanto para as carteiras de crédito da pessoa jurídica como da pessoa física, segundo o vice-presidente da instituição, Eurico Fabri. "Vamos crescer, principalmente, nos carros-chefes de cada carteira como imobiliário, consignado (com desconto em folha de pagamentos), que continuou crescendo até mesmo na crise", acrescentou. Lazari informou ainda que 35% das operações de crédito pessoal do banco já são feitas por celular, ressaltando o potencial do canal para várias linhas de negócios e não só empréstimos, como em seguros e outros.


Volume de serviços prestados no país subiu 0,1% em outubro

O volume de serviços prestados teve avanço de 0,1% em outubro ante setembro, na série com ajuste sazonal, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços, informou na sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com outubro do ano anterior, houve alta de 1,5% em outubro deste ano, já descontado o efeito da inflação. O resultado também ficou abaixo da mediana nessa comparação. As previsões iam de alta de 0,30% a aumento de 2,40%, com mediana positiva de 1,90%. A taxa acumulada pelo volume de serviços prestados no ano ficou negativa em 0,2%, enquanto o volume acumulado em 12 meses registrou perda também de 0,2%. Desde outubro de 2015, o IBGE divulga índices de volume no âmbito da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). Antes disso, o instituto anunciava apenas os dados da receita bruta nominal, sem tirar a influência dos preços sobre o resultado. Por esse indicador, que continua a ser divulgado, a receita nominal ficou estável (0,0%) em outubro ante setembro. Na comparação com outubro do ano passado, houve aumento na receita nominal de 4,2% O setor de serviços acumula 41 taxas negativas no indicador de 12 meses. O gerente da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), Rodrigo Lobo, disse que a área "manteve o comportamento moderado que já vinha sendo observado em setembro". "O setor ainda opera no campo negativo. O destaque em termos de atividade ainda permanece no segmento de serviços de profissionais administrativos e complementares", afirmou Lobo. Em 12 meses, os serviços administrativos e complementares registraram queda de 2,5% e os técnico-profissionais caíram 1,4% O avanço de 0,1% do setor de serviços na passagem de setembro para outubro foi influenciado principalmente pelos segmentos de tecnologia da informação e também atividades financeiras auxiliares, como corretoras, bolsas de valores e administradoras de fundos de investimento. O resultado de outubro interrompe a volatilidade de desempenho do setor, iniciada em maio, com a greve dos caminhoneiros. Em setembro, a taxa com ajuste sazonal variou negativamente 0,3%. Na passagem de setembro para outubro, duas das cinco atividades investigadas pelo IBGE apresentaram taxas positivas - outros serviços (5,5%), que registrou a maior taxa desde maio do ano passado (8,5%), e os serviços de informação e comunicação (0,5%) Em outros serviços, o destaque são atividades financeiras auxiliares. Mas, por conta do peso que tem na composição da pesquisa, o segmento de tecnologia da informação foi o que mais contribuiu para que o setor de serviços se mantivesse no campo positivo em outubro. Esse segmento faz parte do grupo de serviços de informação e comunicação. "Dentro dos serviços de tecnologia da informação, o destaque são os portais e ferramentas de busca. A gente tem observado também um aumento de receita de empresas que atuam para aumentar segurança contra hackers", afirmou Rodrigo Lobo. Ele avalia que, no ano, os transportes sustentam o setor de serviços. "O segmento de transporte permanece explicando o resultado no acumulado do ano e também na comparação interanual. As atividades de transporte rodoviária de cargas e aéreo de passageiros são os destaques", afirmou. Os serviços estão atualmente 11,6% abaixo do ponto mais alto da série, registrada em janeiro e novembro de 2014. O índice de difusão é de 48,8%, o que demonstra que o crescimento ainda não predomina no setor de serviços. "Há uma mudança no comportamento do setor de serviços, que vinha numa trajetória de taxas negativas no encerramento dos anos. Em 2018, houve uma frequência maior de taxas positivas nos últimos meses, o que confere ganho de ritmo da receita das empresas, embora não seja generalizado", destacou. Os serviços prestados em hotéis, consultoria de tecnologia da informação, rodoviário de carga e transporte aéreo de passageiro são alguns exemplos de atividades que demonstram recuperação em 2018.


Maggi: rompimento com a China prejudicará o agronegócio

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse que um eventual rompimento comercial com os países árabes e a China, em razão de disputas geopolíticas, pode ser prejudicial para o agronegócio no país. De acordo com o ministro, a manutenção desses mercados deve ser um ponto de atenção do próximo governo. “É um ponto de atenção, sim. Não temos essa questão de geopolítica, essa vontade de ser o líder do mundo. Não temos condições de ser o líder do mundo, então porque vamos fazer enfrentamentos nessa ordem?”, alertou o ministro, lembrando que quase 50% das exportações brasileiras de frango têm como destino os países do Oriente Médio. “Você perder isso, você criar um ambiente ruim de negócios, significa problemas para nossas empresas, e que vai bater por último lá no campo, nos nossos produtores, então acho muito complicado isso”, afirmou. O ministro se referiu a declarações do presidente eleito, Jair Bolsonaro, que disse que pretendia transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém e de críticas ao avanço da China em negócios no país. As declarações não foram bem recebidas pelos países. Maggi disse que já conversou com a futura ocupante da pasta, Tereza Cristina, para manter o trabalho de abertura de novos mercados para os produtos brasileiros. Ele disse que sugeriu que, logo após a posse, a ministra faça uma viagem para esses países. “Tem que transmitir a eles que o Brasil os quer como nossos parceiros, que somos confiáveis, nós não ficamos disputando hegemonia mundial da economia, da política, de território, de nada. O Brasil é um país que deve seguir o seu ritmo, se transformando no maior produtor agrícola do mundo, de pecuária e que deve garantir a qualidade dessas mercadorias e a frequência dessas mercadorias”, disse. De acordo como ministro, em 2018, as exportações do agronegócio devem ultrapassar a barreira dos US$ 100 bilhões. "Será a primeira vez que o agronegócio vai ultrapassar a barreira dos US$ 100 bilhões. Já exportamos US$ 99 bilhões em 2013". Ao ser perguntado sobre a concorrência da soja norte-americana pelo mercado chinês, o ministro disse que o Brasil está preparado caso o país asiático retire tarifas sobre a soja produzida nos Estados Unidos. A iniciativa seria um aceno chinês em meio a uma trégua na guerra comercial com os Estados Unidos. "Está absolutamente preparado... A retirada do imposto lá pela China para a soja americana não vai influenciar nada. O mercado vai voltar ao patamar que estava antes ou muito próximo", disse Maggi. Questionado sobre as dificuldades e desafios da próxima ocupante da pasta, o ministro disse que a tendência é de manutenção das ações que já estão em curso. Ressalvou, porém, que é preciso atentar para as novas estruturas que passarão a integrar a pasta. A previsão é que haja uma fusão de setores que estão fora na estrutura do ministério, como a agricultura familiar, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a Secretaria de Assuntos Fundiários, a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) e a pesca. “Já conversei bastante com a ministra Teresa, e até disse a ela que poderíamos nomeá-la agora que não teria descontinuidade das coisas que são tocadas no ministério, com a ressalva das coisas que virão para cá e que vão demandar muita energia por parte dela”, disse Maggi. “Esses setores estão trazendo orçamento? Trazendo os cargos que precisam para que essa secretaria funcione? Então esse é o cuidado”, disse. O ministro também comentou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux que, na quarta-feira (12) revogou uma decisão anterior que suspendia a cobrança de multas, pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a transportadoras por descumprimento das regras de tabelamento do frete rodoviário em todo o país. Maggi disse que conversou com Fux e que o tema deve ser pautado em breve pelo Supremo. “Pedimos ao ministro que ele dissesse se estava pronto a levar para o plenário essa discussão e ele disse que sim. Até entendo que pode existir um frete mínimo. O problema é que os preços colocados na tabela são os preços máximos da safra do ano passado, daí que está muito distante do preço de mercado para o preço que está na tabela”, afirmou. Durante a coletiva para um balanço de sua gestão, que contou com a presença de diversos secretários da pasta, o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Francisco Marcelo Rodrigues Bezerra, foi perguntado a respeito do cumprimento da cota que destinou 30% do transporte da companhia para caminhoneiros autônomos, uma das medidas anunciadas pelo governo federal para atender as reivindicações dos caminhoneiros, durante a greve ocorrida este ano. Bezerra disse que até o momento a procura ficou abaixo dos 30% por não haver demanda por parte dos transportadores autônomos. Maggi, no entanto, disse que é preciso uma definição do Supremo. “O que nós precisamos é de definição e o Supremo terá que dizer isso. É constitucional? Se é, todo mundo que está no jogo vai saber que conta vai fazer, se vai comprar caminhão próprio, se vai continuar plantando. Enfim, vai ter que se arrumar de uma outra maneira. Não é constitucional, a vida continua e vamos seguir em frente. O que queremos é que a regra seja clara”, afirmou. Questionado se uma revogação da medida poderia gerar novos protestos dos caminhoneiros, o ministro disse que protesto sempre vai ter. “Os líderes desse movimento falam em nome dos autônomos, mas as transportadoras também têm interesse sobre isso. Tá aí o exemplo da Conab, foi dado 30% e ninguém foi lá”, disse.




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