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Governo diz que resultado de abril do Caged foi o pior da história

O dado de fechamento de vagas de emprego formal em abril, com saldo negativo de 860.503, é o pior para todos os meses da série histórica, segundo a coordenadora-geral de Cadastros, Identificação Profissional e Estudos da Secretaria de Trabalho da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, Mariana Eugênio. Em coletiva à imprensa sobre os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem, Mariana ponderou que, apesar do pior resultado, o mês de abril foi atípico em razão da pandemia do novo coronavírus, e pelo fato de a crise ter afetado muito as admissões. Foram 598.596 contratações e 1.459.099 desligamentos no período. "A ressalva é que é um mês totalmente atípico. Houve queda muito grande nas admissões, o que contribuiu para o saldo negativo", disse. O secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco reforçou a declaração da colega, afirmando que é o mês "mais diferente". "Não é o mais negativo, é o mais diferente. É de fato uma situação mais inusitada", disse. Segundo ele, o ponto positivo é o que o governo está conseguindo "preservar empregos", mesmo que a série aponte para um nível menor de contratações. "Vamos trabalhar para ter o mesmo nível de contratação do início de ano", afirmou Bianco. Todos os setores econômicos registraram saldo negativo de empregos em abril, mês inteiramente afetado pela pandemia do novo coronavírus. O fechamento foi puxado pelo setor de serviços, com saldo negativo de 362.378 vagas. Em segundo lugar, veio comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas, com fechamento de 230.209 vagas. A indústria em geral foi responsável por um resultado negativo de 195.968 postos, e a construção perdeu 66.942 vagas. Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura foram os setores que menos fecharam postos, com saldo negativo de 4.999. Dentro do setor de serviços, o pior resultado ficou Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, com 129.151 vagas fechadas. Em seguida vem Alojamento e alimentação, que perdeu 127.876 postos. Em terceiro está Transporte, Armazenamento e correio (-51.067), outros serviços (-30.748), Administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (-23.503), e Serviços domésticos (-33). No acumulado de janeiro a abril, o setor de agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura teve saldo positivo de postos em 10.032. Os outros setores todos ficaram com resultados negativos. O pior resultado entre janeiro e abril foi de Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, com fechamento de 342.748 vagas. Depois vem o setor de serviços, com menos 280.716 postos. Em seguida está Indústria geral (-127.886), e depois Construção (-21.837). Em janeiro, o setor de agricultura, produção florestal, pesca e aquicultura teve saldo positivo de 16.447 vagas. Em fevereiro, foram 5.233 postos. Em março, o resultado se torna negativo, com fechamento de 6.649 vagas. Na indústria geral, janeiro registrou criação de 58.364 vagas e em fevereiro foram 41.804 postos. Já em março, o resultado é revertido e 32.086 vagas são fechadas. Na construção, o saldo foi positivo em janeiro com 34.441 postos Fevereiro teve resultado positivo de 26.229. Em março, o fechamento de vagas ficou de 15.565. No Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas já foi registrado saldo negativo em janeiro, com fechamento de 50 922 vagas. Em fevereiro, houve criação de 12.986 postos, e em março, fechamento 74.603 vagas. Em serviços, o saldo foi positivo em janeiro, com 54.844 postos. Em fevereiro, foram 138 585 vagas criadas. Em março, o número reverte e 111.767 vagas são fechadas. O salário médio de admissão nos empregos com carteira assinada teve alta real em abril ante o mesmo mês de 2019, de R$ 1.496,92 para R$ 1.814,62. Para o secretário de Trabalho da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, Bruno Dalcolmo, é preciso considerar que, em outras crises, os efeitos negativos no emprego foram percebidos de forma mais lenta, diferentemente da pandemia. "Essa crise se diferencia não pela profundidade, mas pela velocidade. A retração econômica que em outras crises levou meses para acontecer, nesta aconteceu em semanas", disse. Ele ainda afirmou que o "sucesso do programa emergencial do governo" irá favorecer para uma retomada mais rápida da economia brasileira. Bianco disse que, "por ora", não se pode pensar na prorrogação do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda do governo federal. Segundo ele, a decisão sobre a ampliação ou não dos prazos do programa será tomada em momento oportuno, junto ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da República, Jair Bolsonaro. No programa, o governo federal paga um Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm) para os trabalhadores que tiveram seus contratos de trabalho suspensos em razão da pandemia, ou que tiveram redução proporcional de jornada de trabalho e de salário. "O governo avalia que de fato é um programa muito exitoso. O momento agora da nossa secretaria é de avaliar os efeitos desta política, portanto já até adianto dúvidas que podem surgir, de fato por ora não se pode nem pensar em prorrogação", disse o secretário. "Se vai ser ou não ampliado, isso no momento oportuno é uma decisão que tomaremos em conjunto com o ministro e o presidente da República, e aí sim, também com as medidas de retomada", afirmou Bianco. Segundo ele, em paralelo a avaliação do programa emergencial, a secretaria já tem medidas de retomada "prontas", na "mesa", para serem lançadas num momento oportuno, que irão atacar o desemprego "diretamente". "Medidas de fomento a contratação, tudo na nossa mesa e prontas para, no momento oportuno, divulgá-las; obviamente esse não é o momento oportuno", disse o secretário. Dalcolmo, por sua vez, afirmou ainda que não espera um "surto" no mercado de trabalho uma vez que, quando as medidas emergenciais em vigor forem encerradas, o País já deverá ter superado a crise sanitária, ou ela já estará bastante controlada, em sua visão. Bruno Bianco disse que a desoneração da folha incluída na tramitação da medida provisória que permite acordos para suspensão e redução de salários não é a defendida pelo governo. O relator da MP 936, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), vai propor a prorrogação da desoneração da folha de salários para 17 setores da economia por mais dois anos como uma tentativa de manter empregos no momento pós-pandemia. "A desoneração da folha é uma boa medida, se muito bem pensada. Essa que está no Congresso não é a que temos em mente e defendemos. O Congresso Nacional é soberano e estamos abertos para discussão", afirmou. Dalcolmo afirmou que a desoneração deve ser feita dentro do âmbito da reforma tributária. Durante a divulgação dos dados do Caged, ele disse que o governo não faz previsões para o saldo do emprego formal para o ano ou para o mês de maio. Enquanto a equipe econômica estuda medidas para estimular a contratação de pessoas, Dalcolmo disse que a recuperação do emprego virá juntamente à recuperação econômica. "A demanda por trabalho deriva das condições econômicas, não tem jeito", completou. Ele disse ainda que não existe fila de pedidos do seguro-desemprego e que os processamentos estão sendo feitos em até 48 horas. O Ministério da Economia estima que 250 mil pessoas que têm o direito de pedir o benefício ainda não o fizeram. "Não existe um represamento de solicitações, é que muitas vezes as pessoas ainda não fizeram o pedido por não terem conhecimento ou por estarem no prazo de solicitação quatro meses após a demissão", afirmou Dalcomo. Questionado se o governo abrirá crédito extraordinário para bancar o aumento nos pedidos de seguro desemprego, Dalcolmo lembrou que o benefício é pago com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que já é deficitário. "Isso acaba batendo no Tesouro Nacional", completou. O secretário disse que as solicitações do benefício emergencial estão longe de chegar ao limite. "Os empresários aguardam a conversão em lei", afirmou.


Governo vai pedir ajuda financeira a bancos internacionais

O governo federal recorrerá a organismos internacionais para pagar parte do auxílio emergencial e de outras medidas de enfrentamento à crise provocada pela pandemia de coronavírus. O Tesouro Nacional confirmou ontem que pedirá um financiamento externo de US$ 4,01 bilhões, o equivalente a R$ 21,16 bilhões pelo câmbio de hoje (R$ 5,276). Essa será a primeira vez em dois anos que o governo federal pedirá dinheiro emprestado a instituições estrangeiras. A última vez em que isso ocorreu foi em dezembro de 2019, quando o Tesouro assinou um contrato de US$ 195 milhões com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para o fortalecimento da defesa agropecuária. Segundo o Tesouro, o empréstimo externo será usado para pagar parte do auxílio emergencial de R$ 600 (R$ 1,2 mil para mães solteiras); o Benefício Emergencial (BEm), que complementa a renda de trabalhadores com contrato suspenso ou jornada reduzida durante a pandemia, e o seguro-desemprego, cujos pagamentos têm subido por causa das demissões nos últimos meses. O dinheiro também custeará parte da ampliação do Bolsa Família. De acordo com o Tesouro Nacional, os recursos do empréstimo serão divididos da seguinte forma: US$ 1,72 bilhão para o auxílio emergencial, US$ 960 milhões para o Bolsa Família, US$ 780 milhões para o seguro-desemprego e US$ 550 milhões para o BEm. Os empréstimos serão pagos de 15 a 35 anos, e os juros não poderão superar 0,89% ao ano, mais spread bancário (diferença entre o que os bancos multilaterais captam e emprestam). A operação, explicou o Tesouro, envolveria seis organismos multilaterais: Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Banco Mundial, Corporação Andina de Fomento (CAF), o KfW (banco estatal alemão) e o Novo Banco de Desenvolvimento (que atende os países do Brics). Segundo o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Luis Felipe Vital, o empréstimo externo não vai pressionar a dívida pública, mesmo com a alta do dólar nos últimos meses. Isso porque o volume de US$ 4 bilhões é pequeno quando comparado com o tamanho da dívida pública externa, que encerrou abril em US$ 40 bilhões (R$ 217,11 bilhões no câmbio do último dia de abril). Tradicionalmente, os pedidos de empréstimo a organismos multilaterais são pedidos por estados e por municípios. A utilização desse procedimento pela União é rara e ocorre apenas para investimentos. Para despesas correntes, o governo costuma obter os recursos dos impostos e de emissões de títulos da dívida pública no mercado interno, mas Vital explicou que a busca por financiamentos externos pode ser vantajosa em relação aos mecanismos tradicionais por causa do prazo longo e porque as taxas do mercado internacional estão relativamente mais atraentes que a dos títulos da dívida pública. “Não há nenhuma dificuldade de financiamento da dívida no mercado doméstico. A operação com multilaterais contribui para fortalecer o caixa do Tesouro com custos abaixo do custo de captação do Tesouro e com prazos de até 30 anos. Ressalte-se que essa operação com as agências multilaterais tem volume pequeno quando comparado ao estoque da dívida e não deve alterar significativamente a sua composição”, justificou o coordenador.


Ipea projeta queda de 36,1% na produção industrial em abril

Os efeitos da paralisação das atividades sobre a economia, iniciados na segunda quinzena de março, na esteira do avanço da pandemia de covid-19 sobre o País, se aprofundaram em abril, mostra o Boletim de Acompanhamento Setorial da Atividade Econômica, lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) ontem. Os pesquisadores do Ipea projetam, sempre na comparação de abril com março, tombos de 36,1% na produção industrial, de 28,4% nas vendas do varejo e de 23,7% no volume de sérvios prestados. "Vamos quebrar alguns recordes negativos para alguns indicadores de atividade em abril e no segundo trimestre, por consequência", afirmou Leonardo Carvalho, economista do Ipea e um dos autores do boletim, publicado no site do instituto. As projeções do Ipea miram as três grandes pesquisas sobre a atividade setorial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e levam em conta tanto o efeito de carregamento do desempenho do primeiro trimestre sobre abril quanto dados coincidentes - de pesquisas qualitativas a dados diários sobre transações comerciais - já informados sobre o mês passado. Na próxima sexta-feira, o IBGE divulgará o PIB do primeiro trimestre, mas as pesquisas de abril sobre a indústria, o comércio varejista e o setor de serviços serão conhecidas apenas na primeira quinzena de junho. A mais recente projeção do Ipea para o PIB aponta queda de 1,8% em 2020, no pior cenário, traçado no fim de março. Agora, segundo Carvalho, os pesquisadores do instituto revisarão a estimativa após a divulgação dos dados do primeiro trimestre pelo IBGE. O economista chamou atenção para o elevado nível de incerteza, que dificulta até mesmo a elaboração das projeções com base em modelos estatísticos. Na produção industrial, o tombo de 36,1% em abril ante março, após a retração de 9,1% em março ante fevereiro, será puxado pela fabricação de veículos e de artigos para vestuário, conforme as projeções do Ipea. Com isso, a produção registrará queda de 44,6% ante abril de 2019. O Ipea destacou as retrações em indicadores coincidentes como a produção total de automóveis (-95%), o fluxo de caminhões em rodovias (-19,1%) e o nível de utilização de capacidade instalada (Nuci) na indústria de transformação que, na Sondagem da Indústria da Fundação Getulio Vargas (FGV), caiu 18 pontos percentuais em abril. Diante disso, o Ipea projeta o tombo histórico de 92,9% na produção de veículos automotores em abril ante março, conforme a segmentação feita na pesquisa do IBGE. Já a produção de artigos de vestuário deverá registrar queda de 14,6% em abril ante março A produção de celulose e papel e a fabricação de alimentos deverão se destacar, com desempenho superior ao das demais atividades. No comércio varejista, os veículos também deverão ser o destaque negativo, com queda de 62,2% em abril ante março. Tanto que as vendas do varejo ampliado, que inclui as os segmentos de veículos e material de construção, deverão cair 34,7% na mesma base de comparação. No varejo restrito, que exclui as lojas de carros e de material de construção, a queda deverá ficar em 28,4%. Até as vendas dos supermercados, que avançaram 14,6% em março sobre fevereiro, deverão passar para uma retração de 5%. Por fim, o Ipea projeta um mergulho de 23,7% no volume de serviços prestados em abril ante março. Assim como ocorreu em março, quando houve queda de 6,9% sobre fevereiro, o movimento será puxado pelos serviços prestados às famílias e transportes. Os serviços prestados às famílias deverão cair 44,3% ante março, já que o segmento concentra as maiores perdas com as medidas de isolamento, como as atividades de alojamento e alimentação, que incluem hotéis e restaurantes. Já os serviços de transportes deverão experimentar um tombo de 54,1% sobre março. A Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea pretende divulgar o novo Boletim de Acompanhamento Setorial da Atividade Econômica mensalmente. A ideia é trazer projeções, para um mês a frente, para cada setor analisado. O objetivo é auxiliar a análise sobre o desempenho setorial da economia, em meio ao impacto da pandemia de covid-19.




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