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Bolsonaro defende parcerias para a revolução tecnológica

Com o fim da 11ª Cúpula do Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o Brasil entregou na quinta-feira a presidência rotativa do bloco. Na avaliação do presidente Jair Bolsonaro, guiado pelo lema “Crescimento Econômico para um Futuro Inovador”, durante este ano, o Brasil conseguiu dar ênfase à inovação, “essencial para fomentar a produtividade e competitividade de nossas economias, condições necessárias para o desenvolvimento e bem-estar dos nossos povos”. Segundo o presidente, os países do grupo têm buscado criar os meios práticos para que a cooperação ajude a assegurar às economias a permanente atualização tecnológica, exigida pela economia digital, com destaque para a criação da Rede de Inovação do Brics, do Instituto de Redes Futuras e para a parceria para a Nova Revolução Industrial. “Por meio dessas instâncias, nossos países podem aumentar a pesquisa científica, estimular a produção de bens e serviços inovadores e melhor capacitar os profissionais”, destacou Bolsonaro. De acordo com o presidente, o Brasil também orientou a reunião de jovens cientistas para a discussão sobre inovação e juventude Durante seu discurso na sessão plenária da cúpula do Brics, que aconteceu no Palácio do Itamaraty, em Brasília, Bolsonaro ressaltou a importância da cooperação entre os cinco países e fez um balanço dos principais temas tratados durante o ano. “Essas reuniões resultaram em um maior conhecimento recíproco na identificação de oportunidades e de cooperação e demonstram a vitalidade e o potencial da colaboração entre governos e sociedades”, disse. O presidente brasileiro destacou a adoção de uma perspectiva pragmática no comércio internacional e a assinatura de acordos entre as agências de promoção de comércio e investimentos. Na área da segurança, o Brasil concentrou esforços no combate ao terrorismo e na luta contra corrupção, em seminários, grupos de trabalho e uma reunião sobre recuperação de ativos. Na saúde, a presidência brasileira do Brics focou a promoção do aleitamento materno e a pesquisa da tuberculose, com o objetivo de tornar mais barato o acesso a medicamentos. Houve avanços e ainda acordos para pesquisa energética, assistência aduaneira e de satélites. A presidência brasileira do Brics priorizou obtenção de resultados concretos ao nossos povos. Ajudará nosso grupo a contar com respaldo popular mais sólido", afirmou Bolsonaro. O Brasil exerceu a presidência rotativa do Brics em 2019. No próximo ano, o comando do grupo fica com a Rússia. Ao final das falas dos demais líderes do Brics, Bolsonaro disse que o grupo sai fortalecido, com "manifestações claras de convergência, de propósito e do interesse comum em levar adiante nossa cooperação". O presidente defendeu ainda que é preciso superar o desequilíbrio em desfavor do Brasil na carteira de financiamento do Banco do Brics (NBD). "Números mostram que é preciso trabalhar junto para superar desequilíbrio em desfavor do Brasil na carteira de financiamentos do NDB", afirmou. Em seguida, o presidente lembrou que o Brasil ocupará a presidência do banco a partir de meados de 2020. "Estejam certos no empenho (do País) de indicar alguém que possa trabalhar para o banco se consolidar e cumprir a sua missão institucional", disse. Bolsonaro voltou a afirmar que o Brasil, à frente da presidência do Brics em 2019, privilegiou a busca de "resultados concretos". "Umas das prioridades foi aproximar o conselho de empresários do banco", disse. Segundo o presidente, essa prioridade reflete o objetivo do governo com desestatização e reformas. "Asseguro aos empresários brasileiros que seguirei pessoalmente empenhado em reerguer nossa economia, levando à frente reformas que o País precisa", declarou. O presidente disse que o NDB é o resultado mais visível do Brics e que o banco é um aliado para o financiamento de infraestrutura. Em 2020, a Rússia assumirá a presidência rotativa do Brics. De acordo com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, estão programados 150 eventos em diferentes níveis no próximo ano e a expectativa é ampliar a cooperação em política externa nas principais áreas de interesse dos países do bloco. Para Putin, o Brics deveria ser mais prático em assumir ações no âmbito das Nações Unidas, em prol da resolução de questões globais cruciais e na elaboração de padrões e normas internacionais de combate ao terrorismo e ao crime transnacional. No que se refere à cooperação econômica, a presidência russa vai propor a criação de um fundo de títulos para o Brics e novas iniciativas em matéria tributária, alfandegária e de agências antitruste. De acordo com Putin, na área de ciência e saúde, a Rússia quer ainda promover o programa Rios Limpos do Brics. O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, defendeu a realização de debates pelos países do Brics sobre terrorismo, tráfico de drogas e crime organizado, assuntos que, segundo ele, contribuem para desacelerar a economia. Modi afirmou que está mais distante o risco de uma guerra mundial, no entanto o terrorismo segue como ameaça em países emergentes. O primeiro-ministro indiano disse que a economia perdeu US$ 1 trilhão e desacelerou por causa desses crimes. "Esses três (terrorismo, tráfico de drogas e crime organizado) criam clima de terror e comprometem nosso comércio e desenvolvimento", afirmou. O líder indiano disse que países do Brics se tornaram motores propulsores do desenvolvimento econômico global. Ele afirmou que os ministros do grupo podem discutir como reduzir custos de exportação e transação bancária. Modi defendeu ainda promoção da economia digital e tecnologia de comunicação para o próximo ano. "Podemos dar prioridade a equipamentos de saúde, geração de energia e ajudar deficientes e idosos", disse. "Os cinco países têm conhecimento tradicional nessa área (saúde e bem-estar), podemos disseminar mais amplamente esse conhecimento milenar", afirmou o indiano que deseja propor um memorando sobre o tema. Modi falou que saneamento e saúde são desafios em países do Brics e que proporá reunião de ministros sobre o tema. Ele ainda disse apoiar conselho do Brics de mulheres empresárias. Para ele, o multilateralismo e o comércio exterior baseados em regras estão enfrentando sérios desafios. O primeiro-ministro agradeceu a iniciativa do governo de Jair Bolsonaro de isentar o visto de indianos. Ele também se referiu ao brasileiro como poderoso líder e afirmou que a organização do Brics foi maravilhosa. Para o presidente da China, Xi Jinping, um dos papeis dos países do Brics é trabalhar para oferecer um ambiente "de plena paz". Em seu discurso, ele demonstrou preocupação com ameaças terroristas e conflitos regionais. "Precisamos permanecer firmes ao nosso compromisso e oferecer desenvolvimento", disse. Em relação à Organização das Nações Unidas (ONU), Xi, disse que o Brics deve se opor ao hegemonismo. "Defender e praticar o multilateralismo cabe a nós". Assim como os discursos de quarta-feira, ele voltou a criticar o protecionismo econômico. "Há causas para preocupação como aumento de protecionismo e unilateralismo criam déficit de governança e são fatores de desestabilização da economia digital", disse. "Globalização econômica está encontrando alguns revezes que até certo ponto revelam falhas e deficiências nos sistema de governança global", afirmou. Da mesma forma que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, Xi também defendeu a ampliação das relações dos países do bloco com outras nações. O presidente chinês afirmou ainda que a China busca operação mais limpa, aberta e economicamente sustentável na Road and Belt (Rota da Seda). Ele voltou a demonstrar preocupação com o protecionismo econômico global. "O hiato entre norte e sul está aumentando e o protecionismo, se tornando mais forte", disse. Segundo Xi, o desenvolvimento econômico enfrenta desafios pelo protecionismo. Ele disse esperar que os líderes se mantenham fiéis a princípios do grupo de "promover desenvolvimento econômico justo". O presidente chinês destacou que o banco tem ampliado cooperações e avançado na criação de agências regionais. "A economia mundial está passando por ajustes fundamentais. A revolução tecnológica está abrindo novas oportunidades", disse. Para Xi, é importante que os países trabalharem pelo bem estar da população e priorizarem grupos vulneráveis. O presidente chinês desejou ainda que os líderes contribuam na "luta contra mudanças climáticas" e pelo "desenvolvimento da economia verde". O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, disse que o compromisso do Banco do Brics deve ser beneficiar países em desenvolvimento, inclusive aqueles que não compõem o grupo. "Estamos prontos para apoiar banco. Sobretudo sobre iniciativa de fazer contato com vários países da África", declarou. O presidente da Seção Brasileira do Conselho Empresarial do Brics, Jackson Schneider, apresentou principais sugestões de relatório do conselho, entre elas a adoção de currículos comuns na educação técnica e profissional para os países que compõem o grupo. Schneider afirmou que há consenso sobre a necessidade de avançar na melhoria do ambiente de negócios. Ele também sugeriu a adoção de certificados fitossanitários eletrônicos para tornar exportações mais eficientes. Para o conselheiro, outra prioridade é estabelecer acordo de reconhecimento mútuo de operadores econômicos autorizados (OEA).


BNDES apresentou lucro líquido de R$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro líquido de R$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre, alta de 70% ante igual período de 2018, informou a instituição de fomento. No acumulado de janeiro a setembro, o lucro líquido ficou em R$ 14,738 bilhões, alta de 159,5% em relação aos nove primeiros meses de 2018. Com o lucro, o BNDES fará um pagamento adicional de R$ 6,051 bilhões em dividendos referentes ao lucro de 2019 no quarto trimestre. Uma parte disso já foi paga em outubro. Hoje, o BNDES já pagou R$ 4,9 bilhões de seu lucro ao Tesouro Nacional. Os R$ 4,6 bilhões restantes serão pagos na próxima semana, disse o presidente do banco, Gustavo Montezano. No início do ano, o banco já havia repassado ao Tesouro R$ 1,628 bilhão referente ao lucro de 2018. Além disso, a expectativa do banco é fazer a devolução antecipada extraordinária de R$ 30 bilhões de sua dívida com a União ainda em novembro, disse a diretora Financeira, Bianca Nasser. Essa parcela é a que falta dos R$ 100 bilhões extraordinários pedidos pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, no início do ano. O resultado do terceiro trimestre ficou no mesmo nível do registrado no segundo trimestre deste ano. "Mais importante do que resultado financeiro é evolução estratégica do banco", afirmou Montezano, em entrevista coletiva, no Rio. O executivo começou a entrevista citando uma mudança no "posicionamento" do BNDES, com menos foco nos resultados, e mais foco no "impacto". Montezano também ressaltou a importância da transparência, e anunciou que o lançamento da plataforma BNDES Aberto, que incluirá um hot site com informações na internet. "Será acessível e bem simples para o cidadão comum entender", afirmou o presidente, completando que será lançada no site do BNDES uma nova ferramenta de busca avançada por informações. Em relação ao resultado financeiro, o balanço do terceiro trimestre aponta que o ativo total ficou em R$ 750,299 bilhões no encerramento do período. A inadimplência de mais de 90 dias ficou em 1,49%, ante 2,95% no encerramento de 2018. A carteira de participações societárias encerrou o terceiro trimestre avaliado em R$ 106,047 bilhões. O BNDES tem atualmente uma carteira de 78 projetos de concessões e privatizações, envolvendo as três esferas de governo, afirmou Montezano. Esses projetos incluem a possibilidade de privatização de 20 estatais e englobam investimentos físicos, em capex, de R$ 191 bilhões. Segundo ele, houve avanço significativo nessa área. Em julho, a carteira total de projetos incluía um capex de R$ 83 bilhões. Montezano citou outros avanços, como a reestruturação organizacional do BNDES, a aprovação de normativos e o reposicionamento do banco. Montezano voltou a defender a redução da carteira de participações societárias da instituição de fomento. No encerramento do terceiro trimestre, a carteira estava avaliada em R$ 106,047 bilhões, o que representa 12% do ativo total do banco, o que, segundo Montezano, faz do BNDES um outlier em relação a seus pares. "A média dos bancos de desenvolvimento internacionais é 0,4% (do ativo em renda variável", afirmou, na apresentação dos resultados do terceiro trimestre, no Rio. Além de muito grande, a carteira é extremamente volátil e, por isso, um investimento arriscado, conforme Montezano. O presidente do BNDES comentou a nova política para o mercado de capitais, anunciada semana passada pelo banco, que reduzirá o limite de VaR ("variation at risk", indicador que mede a volatilidade diária de uma carteira de ações). Pela nova política, o limite de VaR, hoje em R$ 5,6 bilhões por dia, passará a R$ 600 milhões por dia, num prazo de três anos, o que deverá levar a uma forte redução no tamanho da carteira. "Temos três anos para chegar lá. Não vamos nos desfazer de toda a carteira amanhã", afirmou Montezano. O executivo destacou também que a nova política introduziu alterações na forma de precificar as ações da carteira. Diversas metodologias poderão ser usadas, pela nova política. O método do fluxo de caixa descontado, usado tradicionalmente pelo BNDES, será usado com uma "banda" de valores máximos e mínimos. Montezano também lembrou que a nova política prevê que operações de venda envolvendo participações avaliadas em mais de R$ 1 bilhão deverão passar pelo crivo do Conselho de Administração do banco.


JBS anuncia que a exportação de carne rendeu US$ 3,6 bilhões

No terceiro trimestre de 2019, as exportações consolidadas foram responsáveis pelo faturamento de US$ 3,6 bilhões da JBS, estimou o vice-presidente e diretor de Relações com Investidores, Guilherme Cavalcanti, em teleconferência com analistas. O continente asiático correspondeu, sozinho, a 49,3% do total dos embarques. "A grande China alcançou 28% de participação, quando era 25% no segundo trimestre do ano", comenta o executivo. O CEO da JBS USA, André Nogueira, ressalta que, além da demanda asiática por carnes causada pelo surto de peste suína africana (ASF, na sigla em inglês), é possível observar uma mudança no preparo e consumo de 'beef' pela população chinesa e, para ele, essa mudança chegou para ficar. Com base nisso, o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, afirma que a companhia está investimento muito para construir uma distribuição robusta de seus produtos na China, que vai da cobertura de food service ao varejo. "Se aparecer uma oportunidade de aquisição no país, nós podemos avaliar, mas não está no foco agora", pontua. Sobre a autorização da China para compra de carne de frango dos Estados Unidos, anunciada na quinta-feira, Tomazoni acredita que a medida não deve trazer prejuízo para as negociações de proteína animal do Brasil. O Departamento de Alfândegas da China (GACC, na sigla em inglês) informou que suspendeu a proibição de importação de carne de aves dos Estados Unidos. A medida tem efeito imediato e os produtos avícolas norte-americanos que atendem à regulamentação chinesa podem entrar no país, informou o GACC. A proibição estava em vigor desde 2015, quando foram registrados surtos de gripe aviária nos EUA. O crescimento nas exportações de carne bovina e suína do Brasil abriu espaço para frango no mercado doméstico, avalia o presidente da JBS América do Sul, Wesley Batista Filho. Em teleconferência com analistas para comentar resultados trimestrais, ele destacou que as perspectivas para o ano que vem ainda dependem da safra de grãos. "Precisamos entender a safrinha e as informações, como vão vir", diz. Ainda em relação ao Brasil, o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, ressalta que há oportunidade para crescimento da Seara no País. No terceiro trimestre de 2019, a receita líquida da Seara totalizou R$ 5,4 bilhões, um crescimento de 7,4% em relação ao registrado um ano antes, resultado de um aumento de 9,9% dos preços de venda e de uma redução de 2,3% do volume total comercializado. No mercado interno, a receita líquida cresceu 6,9%, totalizando R$ 2,7 bilhões, em virtude de um aumento de 8,6% no preço médio de vendas na variação anual, com volumes 1,5% menores. Já a categoria de produtos processados registrou avanço em volume e preços, de 4,1% e 6,3%, respectivamente. No mercado externo, a receita líquida somou R$ 2,6 bilhões, um crescimento de 8%, por causa de um aumento de 11,3% do preço médio de vendas e de uma redução de 3% do volume exportado, resultante de uma queda de 6,6% do volume de carne de frango. Carne suína, por sua vez, registrou um expressivo aumento de 19% no volume exportado e de 35,3% no preço médio de venda em reais. Vale ressaltar que as vendas de frango e carne suína da Seara para a China registraram crescimento da receita em dólar de 46% Na área de bovinos, a companhia continua otimista com a geração de margens positivas, mesmo mediante os sucessivos aumentos no preço do gado, destacaram os executivos na teleconferência. O CEO da JBS USA, André Nogueira, afirmou que houve um movimento forte de preços no mercado norte-americano de suínos nas últimas três semanas, em meio ao pico de produção. "Para o ano que vem, a produção de suínos continuará forte e esperamos aumento de preços para a proteína", estimou o executivo em teleconferência com analistas para comentar os resultados trimestrais da empresa Na quinta-feira, a JBS informou que, considerando os resultados em IFRS e reais, no terceiro trimestre de 2019 a JBS USA Pork registrou uma receita líquida de R$ 6 bilhões, aumento de 8,8% em relação ao igual período do ano anterior e um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 702,9 milhões, com margem de 11,7%. Tais resultados incluem o efeito da ligeira desvalorização de 0,4% do câmbio médio (do real ante o dólar), que passou de R$ 3,96 para R$ 3,97 no período. O volume de exportações da indústria americana apresentou crescimento de 16,8% em volume em relação ao terceiro trimestre do ano passado, com destaque para a demanda de carne suína pela China que apresentou evolução significativa de volumes, apesar das altas tarifas impostas pelo governo chinês na importação de carne suína dos Estados Unidos. "Buscando maximizar oportunidades de exportação, a JBS USA Pork anunciou que pretende eliminar a partir de janeiro de 2020 o uso de ractopamina de sua cadeia de suprimentos", informou a empresa.




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