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Ubiratan Ferrari Bonino

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Consideração pelo outro!

Não é nenhuma novidade afirmar que não apenas no mundo dos negócios somos competitivos. Essa coisa da disputa nasce com a gente. Basta olhar para as tetas de uma cadela amamentando para perceber a voracidade com que cada filhote luta pelo seu leite. Ali também já se pode perceber a personalidade de cada um. Geralmente o dominador se alimenta melhor e quase sempre se impõe pela sua força física. Ele cria desde cedo um histórico de vantagens e conquistas que lhe permite, nesse seu mundo, liderar. Essa talvez seja a grande diferença quando deixamos de ser criança e percebemos que a força física (saúde) nos ajuda a manter o corpo em que moramos, mas não necessariamente decidirá o nosso destino. Cansamos de assistir a líderes, encorajados pelo poder físico ou financeiro, intimidando seus liderados, ninguém tem dúvidas de que o poder pode tornar as pessoas mais “corajosas”. O assunto de hoje aborda a atitude de respeito, principalmente o respeito que as empresas devem ter em relação aos seus funcionários. Vivemos numa época em que a falta de trabalho tem trazido pânico a muita gente. Milhares de chefes de família saem todos os dias distribuindo currículos, visitando empresas, fazendo “bicos”, quando fazem, depois voltam para a casa no final do dia sem ter conseguido o suficiente. Chegam cansados, desanimados e desesperançados. Assim vão sobrevivendo dias, meses, até anos. Qualquer sinal de trabalho representa uma conquista, e uma vez conseguido, submetem-se a tudo para não o perder. Pois se é ruim com ele, pior sem ele. Como conseqüência, muitos empresários, mal preparados, usam essa fragilidade para a intimidação, para levar vantagens. Em nossa avaliação percebemos que os funcionários de empresas mais afastadas dos grandes centros sofrem mais. A distância existente entre a impunidade, a deficiência do estado em fiscalizar e o medo do empregado de perder o emprego acabam alimentando a cadeia do desrespeito. Não se trata apenas de mudar esse jogo punindo o empresário, mas de treiná-lo, conscientizá-lo, inseminando a cultura do respeito. Deve-se estimular cada vez mais, de forma corporativa, uma nova ordem de profissionalizar, não preocupada apenas com as competências técnicas, mas também com as de natureza ética e comportamental. Os empregados, por sua vez, devem procurar se organizar e através da autoridade local poderem receber informações. Quando tratamos de empresários cujo endereço da discriminação está bem mais perto de nós, é papel do RH que pretende ser estratégico, mostrar a sua cara. A busca incontida por resultados e a guerra concorrencial muitas vezes tornam as empresas insensíveis, chegando a atropelar o quesito consideração pelo outro sem que seja percebido o estrago no ambiente de trabalho. Muitas vezes isso só é notado muito tempo depois, o que torna a recuperação bem mais difícil. A ação de uma conversa franca do RH deve ser rápida, e deve representar o alerta como um importante agente de realinhamento postural. As vantagens conseguidas através de um ambiente de aceitação não devem ser desprezadas sempre que a pressão aumenta, ao contrário, elas devem ser valorizadas e preservadas como fonte de comprometimento dos empregados em se aliar para transpor obstáculos. Ainda entendemos que a abordagem prioritária para se manterem os resultados de uma organização passa fundamentalmente pela consideração que ela tem pelos seus fornecedores, funcionários e clientes. Não é nada fácil lidar com o problema da queda do faturamento, concorrência voraz e a consequente diminuição da margem do lucro, e essa situação afeta diretamente a todos. A empresa que entender primeiro que é na crise que deve unir-se, ela, certamente, estará dando um passo à frente da concorrência. Quando se tem os funcionários engajados no negócio e comprometidos com os resultados, cada pingo de vitória significa o sucesso de todos, e esse fortalecimento das relações entre patrão x empregado pode devolver a confiança de que é possível superar os obstáculos, por mais difíceis que sejam.



















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