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Victor Mothé Pereira Nunes

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Planejamento inicial do empreendimento (i)

No artigo da semana passada, foi comentado que a capacidade de empreender seria uma marcante característica do brasileiro, em muitos casos identificada pela expressão “jeitinho brasileiro”, que traduziria, de certa forma, dentre outras peculiaridades, a verificação de que a população brasileira, em geral, utiliza de criatividade e de improvisação para solucionar os problemas e buscar o sucesso profissional e a melhoria de vida em termos econômico-financeiros; e, portanto, sem dúvida, são louváveis as iniciativas relacionadas ao empreendedorismo, porém é possível constatar que uma significativa parcela destas iniciativas não alcança o sucesso, em alguma medida, porque não houve o devido cuidado com a prévia análise da oportunidade, ou seja, em outras palavras, não foi verificada a adequada atenção com o planejamento inicial do empreendimento. Neste sentido, com o objetivo de reduzir os riscos do negócio, seria altamente recomendável que houvesse a análise prévia de diversos aspectos relacionados com o projeto, em etapas, sendo uma primeira fase construída pela simples qualificação do nome ou razão social da empresa, eventual nome fantasia, com a cuidadosa determinação dos sócios, do local de instalação da empresa, dentre outras questões preliminares, aparentemente sem maior importância, mas que, na realidade, podem vir a representar problemas no futuro, tais como, por exemplo, verificação de que o nome da empresa já era utilizado por outros empresários, que o nome é inapropriado para o negócio ou tem pouco apelo comercial, que há alguma incompatibilidade entre os sócios, que um deles não tenha as condições financeiras ou a disponibilidade de tempo para assumir as responsabilidades esperadas relativamente ao projeto, que o local escolhido para a instalação é impróprio para a legalização do negócio, ou está em ponto de pouca visibilidade comercial, dentre outras inúmeras questões que podem ter amplo impacto. Na sequência, o potencial empreendedor deve identificar as principais características estratégicas do negócio, com destaque para a descrição detalhada do que a empresa pretender fazer, descrevendo também quais são as oportunidades que serão atendidas pelo negócio, e ainda, quais seriam as tendências de mercado que estimulariam a abertura e o desenvolvimento do empreendimento. Neste ponto, caberia adicionalmente especificar a missão da empresa, o que deve ser redigido tendo como foco o atendimento de todas as oportunidades anteriormente citadas, e em paralelo, deve ser apontado e descrito o mercado consumidor que será atendido, detalhando eventual nicho de mercado em que se pretenda atual, assim como os diferencias competitivos do projeto, os pontos fortes, os pontos fracos e as principais ameaças ao empreendimento. Outra relevante etapa da estruturação simplificada do negócio consiste na evidenciação dos produtos e serviços que serão oferecidos pela empresa, com a verificação da capacidade instalada de produção, do preço unitário estimado de venda, da projeção de vendas, da forma de comercialização e distribuição, dentre outros importantes aspectos de marketing, precificação e produção, inclusive com a análise de questões tecnológicas eventualmente aplicáveis a cada caso em particular, com destaque para o grau de obsolescência dos produtos ou serviços, pois a constante evolução científica, tão presente nos dias atuais, pode, em certos casos, representar uma excelente oportunidade para o empreendedor ou, por outro lado, uma grave ameaça, para o sucesso do negócio. Na fase seguinte da estruturação do negócio, seria prudente relacionar as empresas concorrentes, com a especificação dos pontos fortes e dos pontos fracos de cada uma delas, assim como outras informações relevantes que possam auxiliar o empreendedor na análise destes competidores, tais como, por exemplo, a identificação da política de atuação no mercado de cada um destes concorrentes. Em complemento, também seria fundamental relacionar os principais fornecedores, com a especificação dos produtos e serviços a serem fornecidos por cada um deles. Uma possível expansão do quadro analítico de fornecedores poderia ainda incluir, dentre outras informações, o detalhamento do volume financeiro mensal a ser dispendido com cada fornecedor, as possíveis formas de pagamento, com inclusão dos respectivos prazos para liquidação financeira, e os fornecedores alternativos. Dando mais um passo, também caberia descrever as matérias-primas, os materiais secundários e as embalagens a serem utilizadas no processo de produção, relacionando cada uma das etapas de produção com a respectiva matéria-prima, material secundário ou embalagem, da mesma forma em que também se devem discriminar as máquinas e os equipamentos necessários para a produção, inclusive com a caracterização da capacidade e do ciclo de produção, cabendo destacar, por oportuno, que esta etapa será desnecessária ou simplificada no caso dos negócios de prestação de serviço, entretanto, nesta hipótese, terá muito maior significância o tratamento geral que deverá ser dispensado com as várias questões pertinentes aos recursos humanos. Na próxima semana: continuação do descritivo dos tópicos da análise prévia dos principais aspectos relacionados com um empreendimento.



















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