Diário Comercial

Destaques do Dia


Colunas


Victor Mothé Pereira Nunes

vmpnunes@hotmail.com

Dicas para as suas finanças pessoais (iii)

Em continuidade aos artigos publicados nas duas semanas anteriores, novamente cabe citar que as dicas caracterizam um importante recurso utilizado para auxiliar na fixação de conceitos e de instruções, tendo como objetivo alcançar um determinado objetivo, no caso destes artigos, para que o leitor possa conhecer ou lembrar de relevantes fundamentos relacionados com finanças pessoais; sendo estas noções divididas em grupos, para efeito de facilitar a estruturação e a análise das recomendações, com a seguinte caracterização: (a) gestão financeira pessoal; (b) planejamento da aposentadoria (ou da independência financeira); (c) gestão de ativos (investimentos); (d) gestão de riscos e de seguros; (e) gestão tributária; e (f) gestão sucessória; com apresentações sequenciais, por motivo de espaço. Destacando, por oportuno, que as primeiras 14 dicas estavam diretamente relacionadas com a gestão financeira pessoal e as três dicas seguintes trataram do planejamento da aposentadoria (ou da independência financeira); e agora, a respeito da gestão de ativos (investimentos): (xviii) Dica Nº 18 – Tenha a sua reserva de emergência: Uma reserva financeira para eventual emergência é um montante separado exclusivamente para cobrir os gastos imprevisíveis. Desembolsos que surgem de forma aleatória na sua vida e que podem até mesmo causar um grande impacto financeiro. Tenha certeza, não compensa assumir o risco de passar por uma situação que seja imprevisível, que demande recursos financeiros para equacionar uma solução, e não possuir o capital necessário para esta hipótese. Dez em cada dez consultores financeiros (ou seja, 100% destes profissionais) irão, certamente, recomendar que você disponha de um fundo para emergências. Para construir, da melhor forma possível, a sua reserva financeira, tenha em mente, dentre outras variáveis (questões), qual seria o risco de perder o seu emprego, se você possui fontes alternativas de renda, o valor total de seus custos fixos, qual seria a facilidade ou flexibilidade que você possui para reduzir ou eliminar despesas em caso de necessidade e quantas pessoas da sua família dependem da sua renda; (xix) Dica Nº 19 – Entenda a diferença entre a renda fixa e a renda variável: Para nos aprofundarmos no mundo dos investimentos, um dos pontos iniciais é você entender a diferença entre a renda fixa e a renda variável. Entender que é possível, sim, perder dinheiro com algumas aplicações de renda fixa, e perder ainda mais com a renda variável. E compreender, também, que com a renda variável você poderá conseguir uma elevação do retorno da sua carteira de investimentos, comparativamente aos investimentos na renda fixa. Ou seja, você deve conhecer os mercados e lembrar, sempre, do tradicional “trade-off” entre a rentabilidade esperada e o risco; e (xx) Dica Nº 20 – Entenda também a diferença entre os títulos prefixados e os títulos pós-fixados: Os ativos financeiros de renda fixa podem ser segmentados em dois grupos distintos, em função da forma de remuneração, os títulos prefixados, que são aqueles nos quais a rentabilidade final será conhecida (contratada) no momento da aplicação (por exemplo, um título pode remunerar o investidor com base numa taxa de juros prefixada de 9% ao ano) e os títulos pós-fixados, que são aqueles nos quais a remuneração também é contratada no momento da aquisição, porém a rentabilidade final somente será conhecida quando do resgate ou da venda do título, uma vez que os títulos pós-fixados proporcionam uma rentabilidade que está atrelada a algum índice, cuja variação durante o período da operação financeira somente será conhecida ao final, por exemplo, um título pode remunerar o investidor com base na variação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, calculado pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mais juros, neste caso, apenas após decorrido o prazo da operação se poderá conhecer, em termos monetários, o quanto o título terá proporcionado de renda ao investidor, pois esta apuração depende da verificação da variação do índice contratado no período (neste exemplo hipotético, depende da verificação da variação do IPCA). Além disso: (xxi) Dica Nº 21 – Entenda, adicionalmente, a diferença entre os títulos públicos e os títulos privados: Em complemento, os ativos de renda fixa também podem ser segmentados em dois outros grupos distintos, em função do emissor do título. Os títulos públicos são os títulos de crédito emitidos pelo governo e, neste caso, o investidor empresta dinheiro para o governo e, após decorrido o prazo do investimento, o governo devolverá o valor do principal investido acrescido de uma remuneração – os juros, que tanto poderão ser prefixados quanto pós-fixados, conforme citado na dica anterior. Dentre os principais exemplos de títulos públicos, emitidos pelo governo federal, podem ser destacados o Tesouro Prefixado (LTN – Letra do Tesouro Nacional) e o Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal - Nota do Tesouro Nacional - Série B – Principal). Já os títulos privados são aqueles emitidos por instituições privadas, tais como, por exemplo, as instituições financeiras e as empresas. Neste caso, o investidor empresta dinheiro para as instituições privadas e, assim como ocorre com os títulos públicos, após decorrido o prazo do investimento, recebe o valor do principal investido acrescido de uma remuneração – os juros, que igualmente tanto poderão ser prefixados quanto pós-fixados, conforme citado na dica número 20. Dentre os principais exemplos de títulos privados, podem ser destacados o CDB (Certificado de Depósito Bancário), que como a própria denominação indica, é emitido pelos bancos, a LF (Letra Financeira), de emissão exclusiva das instituições financeiras, podendo do tipo LF simples ou LF subordinada, a LCI (Letra de Crédito Imobiliário), emitido pelas instituições financeiras para o financiamento habitacional ou financiamento imobiliário, a LCA (Letra de Crédito do Agronegócio), emitido pelas instituições financeiras para o financiamento de operações de crédito rural, o CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários), emitidos por companhias securitizadoras e tendo como lastro os fluxos de recebíveis originados por financiamentos imobiliários, o CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio), também emitidos por companhias securitizadoras e tendo como lastro os direitos creditórios originários de negócios realizados, em sua maioria, por produtores rurais ou cooperativas rurais, e as debêntures, que nada mais são que títulos de dívida emitidos por empresas constituídas sob a forma de sociedades por ações. Nos próximos artigos, o detalhamento de novas dicas para as suas finanças pessoais.



















©2017 - Diário Comercial. Todos os direitos reservados.